Foto:Miguel Proença

A vida ao contrário!

 

Já imaginou a vida ao contrário?

Começar o almoço pelo café, vestir a luva no pé!

Pela manhã comer feijoada e ao jantar uma torrada!

Tomar banhos de lua, ir de pijama para a rua!

Ir ao mar pescar maçãs, saborear bifes de romãs!

Dizer em tom apaixonado, o quanto estou zangado!

Mergulhar num mar de searas e com um golfinho dar de caras!

Ir dormir com o sol a brilhar e com as estrelas acordar!

Vamos acabar com esta brincadeira, mas às vezes, é bom olhar para a vida de outra maneira!

 

Paula Brito

15 fevereiro 2020

Foto: Miguel Proença

Sem o defeito, esta foto não seria perfeita!

Há beleza na imperfeição, como demonstra a imagem e este refrão.

“Diz-se que o amor é cego,

Deforma tudo a seu jeito,

Mas eu acho que o amor descobre,

O lado melhor do que parece defeito.”*

*Clã – Os embeiçados

 

Paula Brito

8 fevereiro 2020

Foto: Miguel Proença

Gosto do arco-íris

Estou sempre a imaginar que nele vou escorregar.

É preciso cuidado para não cair do azul: há o claro, há o escuro, há ainda o azul do céu… o melhor é transformar-me em borboleta e voar para a cor violeta.

Se o sol continuar a desafiar a chuva o amarelo vai brilhar, saltamos agora o verde para a cor do ouro chegar. Tão quente e tão radiosa, que transforma o violeta em rosa.

Para o vermelho vou saltar, cor de sangue, cor de vida, mas é no laranja que acabo de encontrar guarida.

É que o sol deixou de brilhar e a chuva, em breve este arco iris vai levar!

Ainda bem que as guardei no meu jardim de flores, nunca sabemos quando vamos precisar de pintar o dia a cores!

 

Paula Brito

1 fevereiro 2020

Um dia de inverno pintado a sépia, decalcado a folhas, cortado a frio.

Às vezes, não é preciso uma direção para se chegar ao destino,

basta sermos nós o caminho!

 

Paula Brito

25 janeiro 2020

Foto: Aldeia histórica de Castelo Novo (Fundão) de Miguel Proença

Da minha janela...

 

Da minha janela vejo o céu, vejo a serra e vejo o sol a brilhar

A minha janela é de granito e vive de costas para o mar.

Da minha histórica janela, vislumbro ao longe a fronteira

Que o interior protegeu, para te dar uma bandeira.

A minha janela de granito, à história sobreviveu

Porque é também de granito, quem com granito a teceu.

 

Paula Brito

18 janeiro 2020

Foto: Miguel Proença

A vida é como uma roda gigante num parque de diversões.

Nem todos têm coragem de a viver!

 

Paula Brito

11 janeiro 2020

Foto: Miguel Proença

As quatro estações 

 

Primavera é alegria!

Verão é folia.

Outono melancolia…

No inverno, escasseia o dia.

 

Paula Brito

28 dezembro 2019 

Foto: Miguel Proença

Branco Natal!

 

É Natal e neva no meu quintal

Flocos brancos de algodão

Que tento apanhar na mão.

É Natal e neva na minha imaginação

Chuva silenciosa

Que me acalma o coração.

É Natal e neva no meu pinheiro

Tanto açúcar para abraçar

E adoçar o mundo inteiro.

 

Paula Brito

21 dezembro 2019

Foto: Miguel Poença

Nevoeiro

 

Fumo que não queima, não tem cheiro, nem sabor. Só névoa, que embriaga o dia e a noite arrepia!

Nevoeiro cerrado cria a ilusão de mar na montanha, de um tapete de nuvens esticado, de um lago de algodão onde apetece estar mergulhado.

Nevoeiro disperso dissimula a realidade, espalha a dúvida, instala a intranquilidade.

Não é neve, não é nuvem, apenas uma ilusão, que turva o caminho mas que se dissipa à chegada ao destino.

 

Paula Brito

14 dezembro 2019

Quase Natal

 

Chegaram as luzes, porque as estrelas não chegam para iluminar as noites de inverno.

Chegaram os cânticos de Natal, para afastar a solidão e anunciar que o tempo é de união.

Chegou o madeiro para a aquecer a noite que devia prolongar-se pelo ano inteiro.

Já sabe a filhós, a rabanadas e a bolo de rei com noz.

Já cheira a pinheiro, a musgo, a reencontros e a mesa farta, porque é à volta da mesa que a saudade se mata.

 

Paula Brito

7 dezembro 2019

Foto: Miguel Proença

O caminho!

 

A água sabe sempre que caminho tomar, para chegar ao mar.

Serpenteia serras

Desbrava socalcos

Irriga campos

Molda pedras

Define margens

Permite pontes

Mata a sede

Embala os peixes

Refresca a paisagem

E mesmo que algo a impeça de andar

A água, nunca, nunca desiste

De chegar ao mar.

 

Paula Brito

30 novembro 2019

Foto: Miguel Proença

À espreita!

 

Lá fora há o mundo.

Cá dentro solidão.

Queres vir comigo lançar um pião?

Lá fora há o mundo.

Já o vou apanhar

Tenho aqui uma bicicleta que está a enferrujar.

Lá fora há o mundo

E eu aqui ao portão

Entre jogar às escondidas

Ou ser um destemido capitão.

 

Paula Brito

23 novembro 2019 

Foto: Miguel Proença

Inocência

Sem passado para carregar

Só presente para viver

Tanto do futuro esperar...

É permitido sonhar

É proibido preocupar

É obrigatório brincar

É urgente crescer!

 

Paula Brito

16 de novembro 2019

Há cores que só a natureza, ou uma nação, conseguem combinar!

 

Paula Brito

9 de novembro de 2019

Foto: Miguel Proença

Quantas emoções cabem numa estação?

Abraça os que chegam, chora pelos que vão, desenha no azulejo a alegria de um beijo, controla, com um velho relógio, as horas à ansiedade.

Traça, nas linhas, a vida. Seja curta a despedida, seja demorada a chegada. Na bagagem segue a esperança de um regresso, cedo ou tarde. À chegada, já só carrega a fome de matar a saudade.

Quantas emoções cabem numa estação?

Tantas, que me turvam a visão! Já não sei se é o dia que está de partida, se é o sol que está de chegada ou se é a lua que dá as boas vindas à madrugada!

 

Paula Brito

2 novembro 2019

Foto: Miguel Proença

Há um provérbio, vindo do Oriente, que diz, “há três coisas que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida.”

E depois, há o provérbio, vindo do Ocidente, que fica ali perto da tasca do ti Manel, que diz, “não há duas sem três!”

Já que não se pode voltar atrás, tiremos partido desta sabedoria do Oriente: venham de lá os copos de aguardente!

 

Paula Brito

26 de outubro de 2019

Foto: Miguel Proença

O que faz um malmequer amarelo, num campo de flores silvestres de cor violeta?

- Faz a diferença!

 

Paula Brito

19 de outubro de 2019 

Foto: Miguel Proença

Afinal…

Atrás da curva havia outra curva, e depois outra, e outra, num caminho estonteante… Não do movimento das curvas, mas do que se vai perdendo, se só contornarmos curvas, sem apreciar o momento.

Depois de uma, e outra curva, uma reta virá. Mas quem quer adormecer ao volante, se há tanta curva para lá?

 

Paula Brito

12 de outubro de 2019

Foto: Teresa Esteves

Há sempre beleza num dia triste,

há sempre um caminho que não se percorreu…

Basta deixar de olhar para o chão e erguer os olhos para céu.

 

Paula Brito

5 de Outubro de 2019

Foto: Miguel Proença

Dizem que a idade é um posto,

Além disso, tem um rosto.

Dizem que os anjos não têm sexo,

Eu acho que também não têm idade.

Dizem que a partir de certa idade, tudo nos é permitido

Até fazer da bata um lindo vestido.

Depois há aqueles que acham que a partir dos 70 tudo é a preto e branco.

Que engano, que espanto!

 

Paula Brito

28 de setembro 2019

Foto: Miguel Prença

Para que serve o relógio?

As horas já passaram pelas ondas dos cabelos, deixando-os da cor da prata. Os anos passaram pelo rosto, deixando as sábias e sofridas rugas, que lhe traçaram o caminho. Os minutos agora são lentos, precisam de um ponteiro que os arraste… Mas o brilho da vida, mantém-se no olhar, ainda que por segundos…

 

Paula Brito

21 de setembro de 2019

Foto: Miguel Proença

Quase outono…

 

É quase outono na serra

Quem me dera ser pintor, perpetuar aquela cor…

É quase outono na cidade

Ouviram o acordar da escola, o cheiro do lápis e da cola?

É quase outono na vinha

Venham de lá os cestos, que já é vindima!

É quase outono no jardim

Onde cai uma passadeira de folhas, só para mim!

É quase outono no outeiro

Cheira a castanha assada e a fumeiro…

É quase outono no meu coração

Ai que saudades do verão!

 

Paula Brito

14 de setembro 2019

Foto: Miguel Proença

Vem, Vem comigo!

Vamos mergulhar nas ondas do mar,

Sobrevoar montanhas,

Fazer das serras quimeras,

Voar juntos pelos céus,

Ver a vida com os olhos de Deus.

Se quiseres, também podes ficar,

A terra, o céu e o mar,

Ao nosso amor deve bastar!

 

Paula Brito

7 de Setembro 2019

Foto: Miguel Proença na romaria de Sta. Luzia - Fundão

"O que não se fizer no dia de Sta. Luzia, faz-se noutro dia!"

Diz o povo, diz a fé, diz quem a cera quente da vela já não queima as mãos, calejadas da terra de todos os dias... menos o de Sta. Luzia.

É já a 15 de setembro que os romeiros, vão ao Castelejo pedir à padroeira dos olhos melhor visão, "porque sou ceguinha e não vejo!".  

Vêm às centenas, de toda a região, movidos pela fé, pelo ritual, pela tradição... que ninguém questione as coisas da alma ou do coração. 

Paula Brito 

31 de agosto de 2019

Pormenor do quadro "O nascimento de Vénus" de Sandro Botticelli

Sem ti,

Sou a perfeição, sou Deusa de amor e paixão,

Sou o céu, sou o mar, sou multidão…

Por ti,

Transformo-me em mulher imperfeita,

Que chora, que ri, que mente, que sente...

Para ti,

Eu sou a estrela, eu sou aquela,

Eu sou a vela e a janela…

De ti,

Quero tudo! Quero ser a outra e a amada,

Quero ser a noite e a madrugada.

 

Paula Brito

24 de Agosto de 2019

Foto: Miguel Proença

Papoila,

Há palavras que soam tão bem,

Que só de as ouvir apetece dançar.

Papoila é dessas palavras,

A quem Maria quis mostrar o mar.

Maria Papoila dizia,

Que a sorte das pessoas vem do nome que elas têm…

Que destino para alguém que só o nome embriaga?

Que só o olhar afaga? Que dizer do sussurrar…

Maria Papoila viu o mar e quis voltar,

Precisava da terra para viver,

Do campo para se libertar,

Até descobrir, que lhe bastava amar.

 

Paula Brito

17 de agosto de 2019

Foto: Miguel Proença

Há algo de romântico numa casa abandonada. É como se, mesmo partindo, as pessoas tivessem deixado as vivências e as memórias impregnadas nas paredes, no chão, no teto e na porta, que agora só se abre para a luz entrar. Uma essência que o fotógrafo conseguiu captar e que se traduz em nostalgia, sempre que se regressa ao local.

Paula Brito

10 de agosto de 2019

Foto: Miguel Proença

Praça Velha, velha praça,

Quem ainda por ti passa?

O velho passeador,

que sem pressa, arrasta a dor.

Praça Velha, velha praça,

Na pedra o passado traça,

tanta sombra, tanta graça

Praça Velha, velha praça…

 

Paula Brito 

3 de agosto de 2019

Foto: Poço do Inferno na Serra da Estrela

Porque motivo terão batizado de Poço do inferno tão bela paisagem? Terá sido pelo calor que há milhares de anos formou as rochas? Pela profundeza das cristalinas águas que se despenham formando uma ruidosa cascata? Ou por oposição ao paraíso que esconde a serra da Estrela?

Paula Brito

Foto: Miguel Proença

Pinheiros ao alto! Que o novo olhar do mundo, é para o céu.

Paula Brito

Covão d´Ametade na Serra da Estrela

Na serra mais perto do céu, quando o rio Zêzere começa a ganhar forma, existe o paraíso. Onde as flores nascem na mesma água que reflete as árvores e se espelha o céu.

Paula Brito

Foto: Miguel Proença

O que fazem os velhos sentados nos bancos do jardim?

“Analisam movimentos, conferem as florações, medem o canto das aves, dão aval às estações. Não há nada no universo que aconteça sem o não e sem o sim, dos velhos do jardim.“

Rui Veloso

Foto: Miguel Proença

Quando a água tece a paisagem, correndo livre pelos socalcos, esculpindo pedras, ao som de uma refrescante sinfonia.

Paula Brito

Foto: Miguel Proença

Chegou o verão, maduro, espigado, de quente vestido, de fogo sofrido, de amarelo espreguiçado, há muito contido, tão temido quanto desejado.

Paula Brito

Rio Zêzere, entre as aldeias de xisto de Barroca e Janeiro de Cima

Na curva do rio perdi-me do rumo,

na curva do rio encontrei novo caminho,

na curva do rio agitaram-se as águas,

na curva do rio ficaram as mágoas.

 

Paula Brito

 

Foto: Miguel Proença

“Agonia dos lentos inquietos amarelos, a solidão do vermelho sufocado, por fim o negro, fundo espesso, como no Alentejo o branco obstinado."

Eugénio de Andrade

Foto: Miguel Proença

Borboleta, borboleta

tens o dom de transformar

voas para o meu jardim

sempre que ouso mudar.

Corpinho delgado, de seda tecido

vestido de gala, em tom colorido.

 

Paula Brito

 

Foto: Miguel Proença

A natureza não se compadece com o calendário dos homens. Renasce sem decretos, de verde esperança, indiferente a prazos e a planos.

Paula Brito

Foto: Miguel Proença

Hoje é noite de lua cheia azul, vamos falar da lua?

“Custa-nos falar sobre a lua. Gostamos de pensar que nós comandamos tudo. (...) mesmo que não falemos, a lua continua todos os dias a fazer o que sabe, e nós a agir de acordo com ela, conscientes ou não disso.”

Paula Roque

 

Foto: Miguel Proença

Quem nunca desfolhou um malmequer?

Puro como o branco da suas pétalas, radioso como o botão que as segura, genuíno, porque semeado ao vento, o amor é assim... como os malmequeres.

Paula Brito

 

Foto: Miguel Proença

Não há tela nem aguarela

igual àquela que a natureza criou.

Simples, bela...quem a pintou? 

Paula Brito