11 abril 2021 

Domingo de sol e esplanada, com vista para o jardim, "o café da tua vida", diz o toldo assim!

Pastel de Belem partilhado com duas pombas cheias de significado!

Os repuxos de água dão melodia à música que de fundo se ouvia "you must remember this..." Depois de um passeio pela baixa, onde outra música o domingo ilumina, a do som da concertina!

E o rio, que vai turvo de tão agitado, mas continua a correr a teus pés plantado.

Cidade de encantos meus, da saudade à despedida, cidade que guarda o amor, na poesia, cidade da minha vida.*

*De uma maneira ou de outra, acabei por te encontrar! Há coisas que só se conseguem ver com o coração, para citar "O Principezinho" de Saint-Exúpery. (13.abril.2021 00h 11m)

Paula Brito 

10 abril 2021

 

A boa notícia é que a dor no braço passou, ou pelo menos suavizou e deu para fazer exercício no final do dia, se bem que a faxina já é um bom exercício, e hoje foi dia!

Foi também dia de brincar. Fiz uma caça ao tesouro com o meu filho que consistiu em eu deixar pistas escritas e ele procurar pela casa até encontrar a pista final e o tesouro! E encontrou, sem pirataria! Só magia, com o seu mágico cubo, cartas de ilusionismo e tudo!

Hoje fiz chili para o almoço. Cá em casa todos gostam, menos os pequenotes de Portugal, que é como o meu filho chama aos dois porquinhos-da-índia, que a verdade se chamam Burpy e Flash. Já é um agregado familiar considerável!

O sol quase não apareceu, trovejou de manhã e à tarde choveu! Tal como agora, nem se vêm as estrelas!

Amanhã é domingo, o sol voltará a nascer, o dia a amanhecer e talvez se veja uma ou outra estrela!

Nunca mais é domingo!

Um abraço!

Bom dia!

Manhã de sábado de preguiça, crepes e de Lego Ninjago. O exercício teve de ficar para mais tarde, era mais fácil se tivesse um ginásio aqui ao lado!

Nem de propósito, hoje o episódio da Lego era precisamente sobre a preguiça no exercício físico, como estavam a ficar gordinhos os nossos heróis, só a comer, dormir e jogar!

Aprende-se muito a ver estes desenhos animados!

Este sábado, por cá, ainda não viu sol, mas não deve tardar e por aí? O sol às vezes manifesta-se de várias formas, e uma delas é encher-nos de energia para enfrentar o dia!

Hoje estou com uma dor no braço, nada que o exercício físico, daqui a pouco, não resolva.

Até já!

9 abril 2021

 

Parece que anda muita gente interessada no nosso desencontro! Mas, agora que te encontrei, é uma questão de dias, até retirarmos o prefixo ao desencontro.

Na verdade, já te tinha encontrado, eu é que às vezes esqueço que tenho de reler o que escrevo! Estava lá tudo: a guitarra, o fado triste na voz, o coração apaixonado, a serenata ao luar! Era uma questão de seguir o caminho de S. Tiago.

Portanto, acho que me vou fazer ao caminho e não seguir aquela publicidade que dizia “Não vá, telefone!”. É que às máquinas falta o algoritmo do sentir.

Hoje tive outro “dejá vu” ao telefone, como naquele dia em que “te” liguei para pedir o som da assembleia e percebi que do outro lado estava outra pessoa que não aquela que tinha comido piza na esplanada na noite anterior ou que me tinha tocado no braço, de propósito, na despedida. Esse foi o dia em que tudo mudou e comecei outra linha de investigação (não sei se é bem este o termo). Como um simples toque no braço pode causar tanto embaraço!

Hoje trovejou, duas vezes, depois do almoço e à tarde (eu disse que te iria encontrar nem que fosse no meio de tempestades!) E também “apanhei” duas molhas, a primeira, foi sem querer, a segunda propositada, à noite, quando fui passear o Bolt e caía uma chuva miudinha que sabe tão bem que “até cantas” como diria o meu filho.

Foi a minha hora “de respirar um pouco de ar puro”. Deixo-te com o som da guitarra a tocar baixinho porque alguém pode escutar...

Bons sonhos

Paula Brito (23h 55m)

Bom dia, 

Acordei com a chuva e com os pássaros a cantar na minha janela. É o bom da primavera, mantem a beleza e os sons, mesmo que o tempo não seja primaveril!

A chuva tem sempre o dom de limpar a poeira que anda no ar e deixar a paisagem mais nítida. Hoje, é um bom dia para a fotografia!

Se tirar alguma bonita, logo mostro-te. 

Será que aí também choveu? Será que além da chuva ouves o som do rio? 

Dia Feliz!

Paula Brito

8 abril 2021

 

Depois de te dar os bons dias, liguei para saber como e quando ir aí. Do outro lado disseram-me que não havia ninguém com o teu nome. O estranho foi mesmo terem-me dito isso de imediato, sem aguardar um segundo que fosse!  

Seja como for, pensei que talvez não tivesse toda a informação que precisava e fui à procura de quem a poderia ter e ajudar-me, a pessoa que sempre foi o elo de ligação entre nós, de quem gosto muito, para que fique já tudo esclarecido, e que ficará sempre como um Amigo.

Infelizmente, não fui bem-sucedida! Hoje, porque, como sabes, não desisto com facilidade. E como diz o ditado popular “há mais marés que marinheiros” e eu ando à procura de um muito específico e especial!

E se te encontrei a primeira vez, contra ventos e marés, também vou a encontrar-se a segunda, mesmo entre tempestades!

Hoje o dia começou cheio de sol, pela manhã, à tarde esteve frio e agora, há pouco, começou a chover! Este dia, parece que foi tecido ao contrário! Como a vida, às vezes também parece tecida ao contrário.

Entrevistei uma cigana, a propósito de hoje se comemorar o Dia Internacional do Cigano, que me falou de como os ciganos são unidos na alegria e na doença, da tradição dos casamentos que duram três dias, de como gostam de música e de dançar, enfim, um bom testemunho, pensava eu, até ir fazer o trabalho e perceber que não tinha gravado nada! Como se tivesse acontecido uma espécie de apagão!

Como eu acho que nada acontece por acaso, até nos contratempos pode haver algo de bom.

No outro dia vi um filme de animação como o meu filho “Yeti – em busca do abominável homem das neves” que começava precisamente com essa lição: o azar pode ser sorte!

Por falar em sorte, hoje comprei uma lotaria, só porque o tema era aldeias históricas de Portugal, e por acaso é uma que eu não conheço Fajãzinha nos Açores, isto porque nunca fui aos Açores, mas onde tenciono ir um destes dias, quando pudermos atravessar o mar. (Podes acrescentar à lista)

Agora começou a chover com força, vou passar o resto da noite a ouvi-la cair e sonhar com o nosso passeio à chuva.

Bons sonhos.

Paula Brito (23h 31m)

Bom dia!

Mente sã em corpo são...

Hoje foi mais mente que a noite foi agitada e a mente precisava serenar. Deve ser da contagem decrescente. 

Dia bom!

7 abril 2021

 

“Sem meias tintas”, hoje começo esta carta com uma expressão popular que significa ir direta ao assunto. Hoje andei à procura de horários e dias de visita para ir ver-te. Talvez no fim de semana ou na próxima quarta-feira, ou ambos!

Precisamos ver-nos e conversar, aclarar o linho e convertê-lo em meada. O linho puro, que vai urdir a teia do tear que só tece com o verbo amar. Puro, porque andam por aí muitas falsificações de linho e de teares que querem tecer a vida alheia, com “fios de lã podre”, para utilizar outra expressão popular.

Além disso, a saudade aperta, como o calor, por cá os dias têm estado quentes, aquele calor que parece querer anunciar tempestade em todo o interior. Já sabes que gosto de falar do tempo e de sentimento!

E por falar em sentimento, hoje já não se escrevem cartas, pelo menos cartas de amor! Só cartas comerciais, por isso considera-te um privilegiado receberes diariamente, pelo menos, uma carta e alguns bilhetes!

O facto de ela estar acessível a mais pessoas, a mim não me faz confusão, há muito que a minha vida é um livro aberto, ou devassa, para terminar como comecei, sem meias tintas!

Mas, claro que não vou terminar sem um abraço, para aliviar o cansaço, ou como diz a música de Miguel Gameiro, “que seja forte, que te conforte”.

Bons sonhos

Paula Brito 23:33

Bom dia!

Mente sã em corpo são! 

Hoje estou muito melhor e consegui fazer a ginástica matinal, deve ter sido das águas da ribeira e do sol de ontem à tarde! Fresca como o linho! 

Uma cura que sei que também chegou aí, talvez já com a luz da lua. 

Dia bom e até logo!

6 de abril 2021

 

É curioso, logo neste Dia Mundial da Atividade física não me sentir bem para fazer exercício, de manhã. Mas fiquei melhor à hora do almoço, fui apanhar sol até Castelo Novo. Gosto daquela aldeia porque está perto do Fundão, perto da serra, respira-se história em cada pedra, tem uma vista maravilhosa do castelo para o céu, para a serra de granito, para a Malcata, tem uma torre do relógio e fontes de água fresca e cristalina.

Normalmente subo ao castelo, mas hoje fiquei pela praia fluvial a ouvir a água a correr em cascata e a usufruir do sol e da natureza, no mesmo local onde nos encontrámos no dia em que ali fui fazer uma reportagem.  Na altura não te conheci e só não te entrevistei porque senti o teu incómodo! E não iria entrevistar um homem incomodado, vestido de calções de banho vermelho alaranjado!

O mesmo incómodo que senti na praia fluvial de Benquerença quando revi, vezes sem conta, a imagem. Só depois de te ter reconhecido é que percebi que eras tu também em Castelo Novo e provavelmente na Meimoa e no Meimão!

À praia do Moinho voltei mais duas vezes à tua procura. A primeira, tal como tu, em modo de “perseguição”, estava empenhada nesta investigação! A segunda, tal como tu, em modo de proteção. Acho que fui mais bem-sucedida na segunda.

Voltarei lá este verão, mas, provavelmente, para mergulhar nas águas da ribeira e perceber se sabes nadar (seria imperdoável para um marinheiro!) e almoçarmos na esplanada, a bifana é boa, mas a rede é péssima!

Podes acrescentar à lista de verão este programa “caseiro”, sem rede.

E por falar em caseiro, podemos sempre passar pela padaria da aldeia e comprar o pão de trigo. Tomamos ao pequeno-almoço o café com leite, a manteiga com o pão e acertamos o passo com o bater do coração!

Paula Brito (23h 47m)

Bom dia 

Espero que já tenhas feito o teu exercício fisico, eu hoje não consegui! Sinto-me um pouco zonza, não sei bem se é este o termo, e sem força física.

Vou tomar um pequeno almoço reforçado e farei logo à tarde.  

O dia, por cá acordou com sol e já se ouve a cidade a palpitar. Por falar em palpitar um abraço no teu coração. 

Até logo!

 

 

5 abril 2021

 

Foi há precisamente dois anos, no dia 5 de abril de 2019, que criei o meu site www.nuncamaisesabado.net

Na altura, foi-me dado de presente por uma grande amiga que o batizou com este nome porque entendeu que já estava na hora de eu mostrar as minhas capacidades. E mostrei. Primeiro a minha escrita e a minha poesia e só depois o meu rosto, precisamente com a foto de perfil que hoje recordei, provisoriamente.

Foram dois anos de muitas palavras, de muita magia, de muita poesia, de tantas vivencias, passeios, alegria e partilha. Em breve vai sair o livro com o mesmo nome “Nunca mais é sábado!” onde compilei alguns dos melhores textos que aqui publiquei.

Recentemente criei esta página, “Cartas”. Decidi chamar-lhe cartas porque não é um diário que escrevo só para mim, elas são dirigidas a ti.

Hoje, fui pagar uma portagem que tinha em atraso, já passaram 20 dias, e nem na sede da empresa concessionária ainda estava a pagamento! Apesar de estar o dia e o montante em dívida!

Bom, mas isto para te dizer que tive um “Déjá vu”, e lembrei-me do dia em que fui pagar uma portagem de uma ida, precisamente à cidade da Guarda, e já estava paga!

Na altura pensei que tinha sido alguém só para saber onde é que eu tinha ido, mas hoje, à distância, não faz sentido, porque afinal toda a gente sabia!

Então comecei a pensar quem é que poderia ter pago esta portagem e lembrei-me que só havia uma pessoa que podia assumir o papel de benfeitor e pagar a portagem em segredo, como se o gesto aliviasse alguma dor, não sei se a tua se a minha!

Depois acertamos essas contas!

Hoje também fui passear o Bolt junto ao pavilhão multiusos, ali num recanto onde um dia ele ficou preso com a trela naquelas pedras! E perguntei-me se, nessa noite, tivesse gritado por Socorro mais alto tu terias aparecido e deixavas cair o teu disfarce!

Acabaste por aparecer em meu socorro mais tarde, na altura certa, seguramente. O único estrago naquele dia foi a trela do Bolt que rebentou e tu a cantares na rua (consegues ser mais desafinado do que eu!)

Mas, dizia eu que foi na altura certa, porque além de vires em meu socorro, também rebentaste as tuas amarras. Obrigada, por ambos.

Hoje, celebrou-se a Nossa Senhora do Incenso e o bispo da tua terra que foi celebrar a missa, D. António Moiteiro, deixou uma mensagem de esperança “o amor vence o ódio e tempos novos hão de vir, mas temos todos que os construir”.

Com gestos, palavras, emoções e cartas.

Noite feliz! (23:55)

Bom dia, 

Mente sã em corpo são...

Bom café com manteiga!

4 Abril 2021

 

Não sei se foi do exercício matinal se da caminhada pelas cerejeiras em flor no final do dia, mas sinto-me exausta! Este momento do dia é um calmante, tal como a música celta que gosto de ouvir quando escrevo.

As mulheres celtas eram umas grandes guerreiras, uma vez entrevistei um músico que me disse que a origem do adufe vinha precisamente das mulheres celtas que batiam no peito, numa espécie de grito de guerra e que viria daí o toque do adufe, feito de pele de animal, tocado com as mãos, um instrumento tipicamente feminino!

Hoje também conheci a história da origem da Nossa Senhora do Incenso que, como sabes, se celebra amanhã! Sabias que antigamente se chamava Nossa Senhora do Prado? O tal, que é verde quando é primavera?

Por incrível que pareça nunca fui à Senhora do Incenso! Fui muitas vezes à Nossa Senhora da Quebrada! Íamos a pé, 7 quilómetros até à Benquerença e mais 7 no caminho de regresso aos Três Povos! Não sei que encanto tinha aquela festa, ainda por cima nem te conhecia!

Sabias que antes se chamava Santa Catarina? Mas como aparecia sempre quebrada foi assim batizada! Eu só soube no último verão, de tantas pessoas que havia no mercado tive a sorte de encontrar o mais improvável dos testemunhos!

Também fui algumas vezes à Senhora da Póvoa, aí já íamos de boleia. Na altura era seguro andar de boleia, toda a gente ia para a festa e todos se conheciam. Se soubesse que eras da Benquerença, talvez tivesse aceitado a boleia naquele dia em que nos conhecemos, ou melhor, em que eu te conheci!

Eu acho que me ofereceste boleia porque já me conhecias tão bem que para ti era natural, esquecendo que eu nunca te tinha visto! Quando, na verdade, foi o dia em que estivemos mais tempo juntos, presencialmente, apesar de te sentir presente, todos os dias.

23h 47m

Bom dia

O domingo de Páscoa acordou cheio de sol, e eu de energia. Já fiz o nosso exercício matinal, 20 minutos de Pilates, (não confundir com Pilatos, o que lavou a mãos) e 10 de equilíbrio e meditação, essa parte, se quiseres, um dia explico-te e ensino-te como se faz!

Amanhã há mais exercício, porque hoje ainda haverá mais!

Mas, vamos ao café.

Um bom domingo e até já.

9h 32m

3 de abril de 2021

 

Sábado de Aleluia!

Hoje, troquei o meu passeio ao luar, por um passeio de fim de tarde. Um enorme passeio que começou com o sol e terminou com as estrelas. É incrível como passamos todos os dias pelos mesmos locais e ainda há pormenores que nos surpreendem! Uma fonte de branco azulejo, uma varanda rendada, hoje já se preparava uma ou outra esplanada!

Deve ser por isso que na cidade se sentia a liberdade, até vi um pardal com um papel branco no bico! Um bando de pombas a cruzar o céu, um gato a espreitar de uma janela, um homem deitado no banco do jardim, jovens a conviver na rua, uma cidade que vai deixando de estar nua.

Entretanto, comecei a pensar que o exercício físico vou retomar, acho que me podias acompanhar! Aceitas o desafio? Dizem que uma mente sã precisa de um corpo são. A não ser que tenhas outros planos, fica já combinado o exercício matinal, que só nos faz bem e nunca mal.

Eu faço uma caminhada todos os dias com o meu Bolt, mas acho que não chega. Foi o meu filho que o batizou, inspirado num filme, com o mesmo nome, onde o cão pensava que tinha superpoderes! O meu acho que é ao contrário, tem superpoderes e não sabe! (Esta é a parte em que gostava de ouvir a tua gargalhada!)

Amanhã é Páscoa e espero que tenhas um dia feliz, que pode muito bem começar com exercício físico, o primeiro de tantos que vamos partilhar na vida.

Afinal, amanhã é dia de ressurreição! E o lar pode ser em qualquer lugar, desde que seja lá que more o nosso coração.

Paula Brito

2 Abril 2021

Já sabes o que fiz esta manhã, mas, à tarde trabalhei e publiquei a reportagem da tecedeira de Aranhas de que te falei. E se já tinha identificado algumas das voltas que a vida nos fez dar, como o ciclo do linho, esta semana identifiquei outra fase. Aquela em que o linho vai ao forno depois de molhado numa barrela!

A boa notícia é que ele volta à ribeira para lavar e é posto a secar até ficar branco linho. Na vida também curamos assim as feridas, com água, sol, amor e carinho.

Outra boa notícia é que tanta maldade e crueldade trouxe ao de cima a verdade! É que se a mentira tem perna curta, a verdade em todos os caminhos cabe, sejam estreitos ou compridos, em linha reta ou de curvas tecidos.

Hoje, também publiquei uma entrevista que me deixou a pensar se não estaria na hora de deixares de fumar. Um homem que fumava três maços de tabaco por dia e que, depois de um enfarte do miocárdio, deixou de fumar. O tabaco, pelo menos, vem com aviso!

Eu sei que é muita coisa para gerir, mas há um amor de que ontem não te falei que, como todas as formas de amor, tem um enorme poder, que é o amor próprio.

Cuida de ti, por mim.

Paula Brito (00:00)

2 Abril 2021

Esta manhã construi um puzzle com o meu filho. Foi mais uma batalha, ele fez o do mundo e eu o de Portugal, ele ganhou, mas não faz mal, porque eu me perdi a olhar para os azuis do mar, à procura da ilha do Pico, do Corvo e das Flores, no arquipélago dos Açores!

À procura da cor laranja-claro das flores da madeira, dos Santos que dão nome a três ilhas e ainda da Terceira, dos golfinhos, da tartaruga e da sardinha, da estrela-do-mar, do cavalo-marinho e da alforreca, do polvo, do peixe-lua e da faneca.

Ainda em alto mar procurei a rosa dos ventos e os pontos cardiais e encontrei um barco à vela que sobreviveu a vendavais!

Em terra, atraquei em Sagres, comi figos e laranjas do Algarve e subi até Beja, onde o calor sobeja e o lince tive de montar, neste pedaço de terra encantado à beira de Espanha plantado!

Em Évora fiz o templo de Diana, que todos pensavam ter sido erguido à deusa da caça, mas, afinal, foi em honra do imperador Augusto, o tal que dá o nome ao mês de agosto!

Já nas beiras, neve, cerejas e oliveiras, completam o quadro de Castelo Branco, que não tem castelo, e da Guarda, que não tem farda.

Viseu só tem a tabuleta, que me fez lembrar aquela canção de embalar: “indo eu, indo eu, a caminho de Viseu, encontrei o meu amor, ai Jesus que lá vou eu!”

A guitarra portuguesa é o símbolo de Coimbra, do fado triste na voz, mas de coração apaixonado, do fado que gosta de cantar uma serenata ao luar.

A torre dos clérigos, no Porto, o galo de Barcelos desafia, não fora o vira do Minho e outro galo cantaria!

De Bragança a Lisboa ainda é longa a distância, mas já se vê o Cristo Rei, a Torre de Belém e a esperança. Setúbal é ali ao lado com o seu azulejo de azul e branco pintado, estamos no Ribatejo e dali vamos a Idanha que já raia as terras de Espanha!

Foi uma manhã bem passada, a viajar, não com malas na mão, mas com peças de cartão!

Paula Brito (22h26m)

 

1 Abril 2021

 

Esta noite, não fora a pandemia e o Fundão estaria cheio de gente a participar e a ver a procissão do Senhor da Cana Verde, pelas sete capelas da cidade, em cada uma um quadro, uma instituição, uma representação… E mesmo que a visita seja feita ao contrário, tudo termina na capela do calvário!

Mas, hoje a cidade estava deserta de gente e silenciosa de ruido, as gotas que ainda caiam nas caleiras quebravam a quietude do caminho que sei que conheces de cor e salteado, até já o fizeste ao meu lado, ou do outro lado, ora em modo de "perseguição", ora em modo de proteção!

Acho que um e outro sempre estiveram presentes, até que o segundo acabou por vencer, porque o amor é a força do universo que tem mais poder!

Um dia escrevi essa frase numa troca de mensagens, sem saber, na altura, que era para ti, mas está tudo bem, porque se aplica a todas as formas que o amor tem! Romance, família, amizade e o que leva e traz a saudade.

Paula Brito

1h55m (já do dia 2 de abril)

As quatro estações

O dia hoje começou com um sol de outra estação que aqueceu a manhã de primavera como se fosse verão!

Não sei se já reparaste, ou se as pessoas reparam, nos pássaros que rasgam o céu voando ao ritmo que Deus lhes deu!

Às vezes parece-nos tudo tão banal que nem reparamos que a serra está mais verde, que uma borboleta no campo se perde, que a água continua a correr naquela fonte ou que já nasceu mais um moinho no monte!

Por cá, à hora do almoço choveu, uma chuva de outono, quase disfarçada, mas que deixou no ar um forte aroma a terra molhada. Que bem que me soube esta lufada, é como quando acabamos de arrumar a casa e nos cheira a limpeza, só que aqui a “mulher a dias” foi a mãe Natureza.

No final da tarde começou a chover como se fosse inverno. Gosto de ouvir a chuva a cair nas pedras da calçada, no alcatrão da estrada, nos vidros, nos telhados e também gosto de senti-la na cara!

Quem tem medo de se molhar nunca experimentou a sensação da chuva a cair no rosto, e não falo de lágrimas, que essas também sabem bem e não fazem mal a ninguém, sobretudo se nos lavam e acalmam a alma, mas hoje falo da chuva que rega os campos e cai fria no rosto, como os raios quentes de sol em pleno agosto!

Um dia vamos combinar um passeio à chuva! Vai tomando nota. Já temos marcado um café na esplanada com vista para a lua, uma ida ao teatro, pode ser na estreia da recuperação do lindo teatro da tua terra, e um passeio à chuva.

Parece pouco, mas, se pensares que o café na esplanada será no verão, o passeio à chuva no outono, a ida ao teatro da tua terra só lá para a primavera do próximo ano, já estamos a falar de quatro estações!

É que no inverno, já temos outro encontro marcado, em vésperas de Natal, quando se acender o maior madeiro de Portugal!

Paula Brito

1 de abril 2021 (19h 44m)

31 março 2021

 

Há dias assim…

 

Um dia escrevi um texto sobre um papagaio atrevido que inventou o papagaioês (como eu acabei de inventar esta palavra!) e num dos parágrafos encontrou o Joaquim e disse-lhe, “há dias assim, há dias assim”. Aquilo que na altura me pareceu a melhor rima, hoje ganhou um significado especial!

Há dias assim, como aquele em que te conheci, sem saber que aquele encontro “premeditado” iria mudar por completo o rumo da história, que um dia vou contar em livro. Vai ser um romance policial e tal como nos desenhos animados, não acaba mal.

Apesar do início não ter sido uma boa abordagem, foi o primeiro encontro mais original que já vivi, ouvi, li ou vi no cinema! Essa parte vou deixar para o romance onde qualquer semelhança com a realidade será pura coincidência!

E por falar em encontro, deves-me um pedido de desculpa por teres falhado ao café, na esplanada, naquela noite de verão. Eu também te devo um pedido de desculpa pelo nome que, na mesma noite, te chamei! (essa parte também vai ficar para o livro)

É que, hoje, representas exatamente o contrário, e só há uma maneira de o escrever, coragem escreve-se com g, seja no norte, no centro ou no sul.

E era isso que te queria escrever no dia 31 de março, sei que já passa da meia noite e já é tarde, mas, há dias assim…

 

Paula Brito

 

Borboleta, além de voar, tens o dom de transformar!

30 março 2021

 

Hoje é um dia especial!

Desde que o meu filho nasceu que tiro o dia de anos dele de férias. Existem os feriados religiosos, os históricos, este é o meu feriado familiar.

A data de aniversário deve ser comemorada como se um princípio de ano se tratasse. Refletir sobre o quanto crescemos e aprendemos no ano que passou, traçar os planos que temos para o ano que agora começa...

Não é à toa que chamam aos anos primaveras, independentemente da estação do ano em que nascemos! Mesmo que seja outono, a data é de renascimento, de novo começo, como faz a primavera com a natureza.

Primavera, esta estação com paragem para as saudades e partida para os reencontros.

Paleta de cores na pena de um poeta, postal ilustrado que ameniza a espera,  é assim a primavera!

E a que cheira a primavera? A flores, a café, a quimera!

 

Paula Brito (12h 23m)

Foto: Ribeira da Meimoa - Benquerença

29 março 2021

 

Boa noite!

A lua está linda esta noite, como naquela noite em que me perdi entre os verdes portões de Aranhas. Voltei lá há pouco tempo falar com a última tecedeira da aldeia. Uma mulher de 80 anos que tem uma vivacidade, uma alegria e uma sabedoria que quis registar. Conhece todas as voltas que o linho dá até chegar ao tear, é mais ou menos como a vida!

Ainda procuro o dia em que a nossa história deu a volta! Sei quando foi lançada a semente à terra, no mesmo dia em que comi as melhores amoras da minha vida, na cidade da Guarda! Também sei que antes alguém lavrou a terra, com o seu divino arado.

Sei ainda quando o linho foi mergulhado nas águas da ribeira, a mesma onde, já fio, o linho ficou mais claro naquela tarde de sol de inverno!

E como houve um divino arado a preparar a terra, há também uma aranha divina a urdir a teia de um tear que só tece ao som do verbo amar.

Paula Brito (23h 44m)

Bom dia com alegria e café!

Março está a terminar, mas a primavera está só a começar. Ainda com a luar a iluminar o dia, que o sol é cavalheiro e decidiu deixá-la brilhar o dia inteiro!

A começar está também a Semana Santa mas, desejo-te uma santa semana. A língua portuguesa é maravilhosa, às vezes basta mudar de lugar para mudar de significado!

É o caso de Semana Santa, a da Páscoa, e uma santa semana, que é o desejo que fica para que a semana seja de paz.

Homem grande e grande homem, é outro exemplo, agora imagina um homem grande no tamanho e grande no coração!

Dizer verdes prados ou prados verdes não muda o significado, mas muda a melodia, a primeira é poética, a segunda é prosa mas, os prados, esses continuam verdejantes para o poeta, verdes para o escritor e um bom pasto para o agricultor.

É a Dona Maria ou Maria é a dona!  Há, no entanto, palavras que nunca mudam o significado, como mãe. Mãe é mãe, seja em que contexto for, seja qual for a dor, mãe é amor.

E podia estar aqui o dia inteiro a deixar um exemplo e a ocupar o teu tempo.

Um bom dia e um dia bom!

Paula Brito

 

28 março 2021

 

Bom dia, um abraço com o café da manhã de domingo!

Porque o mundo está a precisar de abraços, como de pão para a boca e de colher para a sopa, hoje, vamos dar um abraço! Pode ser do terraço, da varanda, da janela, com vista para a rua, ou para o mundo virtual… porque o abraço não conhece barreiras, é universal!

Se for partilhado, une o que anda desligado, perdido ou à deriva, um abraço é como um pulmão, que nos dá vida! Ninguém cumprimenta ninguém com um abraço sem sentido, ou é uma causa, ou um amigo, ou então é só vontade de abraçar, de outro coração tocar.

Abraço, sabe a chocolate quente à lareira em noite fria, dá conforto e alegria. Abraço é como água fresca em quente verão, refresca a vida, mata a sede e a saudade ao coração.

Abraço fala em silêncio, é como uma imagem, que não precisa de palavras para passar a mensagem. Se for apertado, fala sem saber, transmite todo o querer. Mas, abraço também pode ser melodia, se à sinfonia das emoções, se juntar o bater dos corações.

Se um só abraço tem força tamanha, quantos abraços são precisos para mover uma montanha? E se forem grandes, conseguirão mover a cordilheira dos Andes?

(Se conseguimos mover uma montanha e agitar o mar com um só toque no braço, imagina com um abraço!)

 

 

27 março 2021

 

Boa noite!

 

Hoje, por cá houve sábado sem sol! Acho que esteve escondido atrás das nuvens, não sei se a brincar, se envergonhado, se, apaixonado pela lua, deixou que fosse ela a brilhar, com o seu manto da cor das cerejeiras em flor!

Em breve, o vermelho vai colorir as cerejeiras, dando a forma e a cor do coração a este fruto de eleição!

Que o vento não provoque vendavais nos cerejais, apenas cumpra o que diz a sabedoria popular: A distância é para o amor, o que o fogo é para o vento: apaga o pequeno, atiça o grande.

Dizem que, quem não tem tema de conversa fala do tempo! E há quem aproveite o estado do tempo para falar de sentimento!

Paula Brito (22h 48m)

Bom dia!

 

Gosto do cheiro do pão quente pela manhã. Faz-me salivar e viajar até ao tempo em que o padeiro chegava à aldeia a anunciar a chegada do trigo, de que se fez pão. Primeiro, ao toque da buzina, qual concertina, depois o odor do pão fresquinho como se estivesse acabadinho de chegar da eira e a pedir uma manteiga.

Sempre foi o meu pequeno-almoço preferido, pão de trigo com manteiga, acompanhado com o café que a minha avó fazia numa cafeteira de onde saía um odor que, com o do pão competia. Depois, ia de manhãzinha buscar o leite caseiro, que ganhou o sabor do verde prado e com o café era misturado.

Ainda hoje, café com leite e pão com manteiga é o meu pequeno-almoço preferido! Um destes dias vou aí, tomá-lo contigo.

 

Paula Brito (10:07)

27.março.2021

Dia 27 de março 2021

 

Café da noite!

Este sábado é o Dia Mundial do Teatro mas, com as salas de espetáculo silenciadas fazemos da vida um palco de cenas improvisadas.

Ontem passei-me por um teatro em dois atos, ou três, talvez! Atores e atrizes, poetas aprendizes, com falas mais ou menos apalavradas, algumas dicas estudadas, foi o teatro no seu máximo esplendor, até com figurantes em redor, uns fardados, outros disfarçados, é a vantagem do teatro da vida real, há figurantes em qualquer lugar!

Um dia vamos rir-nos à gargalhada e ir ao teatro de verdade, daquele que ficamos a assistir no nosso lugar, sem nos preocuparmos com o fim, porque sabemos que é tudo a brincar. Como quando era uma feliz menina e fazia peças de teatro na escola, (a minha tinha papoilas cá fora!) e havia uma que terminava assim:

Era uma vez, dois e um três, um canivete, quatro e três sete, custou seis mil reis, três e três são seis, mas com ele não brinco, quatro e um, cinco, quem é afoito, cinco e três oito, se puder me prove, seis e três são nove, venham cá depois, um e um são dois, vamos ao teatro, 2 mais 2 são quatro!

Um dia falaremos sobre uma peça de teatro que fui ver à tua terra, chamava-se “Fausto” e conta a história de um homem que vendeu a alma ao diabo em troca da eternidade! Se calhar até nos cruzámos no salão da junta de freguesia, naquele dia!

Bom, mas no meu passeio ao luar, esta noite fui parar ao jardim de Sto. António, sempre cheio de roseiras, às vezes com rosas, outras em botão, mas esta noite o que abundavam por ali, eram dentes-de-leão. Gosto de os soprar e perguntar, em alto e bom som: ficas careca ou não?

Já sabes que gosto de roubar rosas e amoras do quintal da tua vizinha, mas, isso não é cadastro, é curriculum!

É que um poeta é assim, rouba frutos silvestres, corações e flores do jardim!

Paula Brito

00h 31m 

Dia 26 de março 2021

 

Café da manhã!

O círculo de luz à volta da lua, a noite passada, veio de propósito para trazer calor à fria madrugada. Já sabes que falo com ela, e ela, ouviu a minha prece, trazendo luz e calor à noite, que nunca arrefece!

Lua minha, lua tua, lua circulada, Obrigada!

 

Café da tarde!

Sentada num banco que improvisei de pedra (só porque está à beira de uma cascata e ladeado de silvas, aquelas que dão as amoras que eu adoro e tu adoras) procuro o sol, o tal que ilumina todos sem distinção, que une mares, mata saudades e aquece o coração.

Hoje, os bancos do jardim estão desertos, ninguém neles vagabundeia, mas a alma, essa está cheia! Por aqui já voaram algumas borboletas, brancas, amarelas e pretas. E até já fui "atacada" por um cisne! Não foi nada, foi só uma bicada, a lembrar que o futuro não tarda nada!