Dia de reflexão

 

Ontem, foi dia de reflexão obrigatória e deu-me para puxar pela memória. E se, em vez de ser apenas em véspera de eleição, houvesse umas horas, ao serão, para reflexão?

Acabou a televisão! Vamos sentar-nos no sofá, na cadeira, no chão ou na espreguiçadeira e dar azo ao pensamento, deixar-nos levar pelo vento… Agora percebo porque chamam cabeça de vento a alguém que parece distraído, está em reflexão consigo e não precisa esperar quatro anos, a reflexão é mais permanente na sua vida, com a nuance de ter dezenas de livros para ler e do telemóvel não querer saber!

Esta dissertação faz-me lembrar uma tira da Mafalda! Quino desenhou-a rodeada dos amigos da escola que olhavam para ela como se fosse de outro mundo, bastou uma frase, um segundo: - Não tenho televisão! Esta é a verdade! - Caiu o Carmo e a Trindade!

A coscuvilheira Susaninha, não entendia como é que alguém consegue viver a sua vida sem se meter com a de ninguém! E ainda por cima, parece que todos vivem tão bem. Cheios de blush e de contornos de olhos, dentro daquele quadrado, lindos, sorridentes e sem pecado!

E por falar em Mafalda, não resisto a (é coisa da minha terra por o "a" antes de tudo, vamos a tomar café, vamos a almoçar... é como as sobreiras em Penamacor)  contar-te como na minha cidade andaram, esta semana, a arranjar as calçadas e as canalizações, (deve ser das eleições) e lembrei-me que ela faria uma pergunta pertinente aos trabalhadores:

- Andam à procura das raízes da nacionalidade?

- Ó menina, estamos a reparar uma conduta de água!

- É sempre assim, o urgente não deixa lugar para o que é realmente importante!

Vem esta prosa poética ou poesia prosaica, a propósito do dia de reflexão! E como um dia não são dias, o melhor é aproveitar que domingo é dia de votar!

Só lembrar que não é uma, nem duas, são três as cruzes que é preciso colocar, ou não, se o dia for de abstenção!

 

Paula Brito

26 setembro 2021 (00:18)

Um dia simples

 

Pão com queijo, pão com beijo;

Pão com manteiga e uma dentada, meiga;

Pão com compota de romã e uma alegre manhã;

Pão com presunto e mudamos de assunto.

Café com leite, refresco, laranjada e uma risada;

Ovos mexidos com sal, pimenta e olhares derretidos;

Café com beijo e o desejo do dia passar a correr, para nos voltarmos a ver.

 

Ao jantar, na casa de fados, entre um caldo verde e uma guitarrada,

Um fumeiro com broa, um punhado de azeitonas e uma desgarrada,

Passa a Júlia que "vendia flores mas os seus amores nunca os vendeu”, e compras um ramo de rosas, "à boémia fadista", por 10 pintores.

Perguntas-me como foi o dia.

Respondo que, ao meio dia, recebi o teu bilhete e ninguém percebia o meu ar de felicidade, a folhear, as cartas da água e da luz para pagar.

Nem sequer porque motivo eu continuava a sorrir perante queixas e reclamações, esquecendo-se da força que há nas emoções!

Entre o rosário de penas que a fadista desfiava e o caldo verde que fumegava, planeávamos o dia seguinte, que este, quase acabava.

E tu, como se estivesses sozinho a falar com os teus botões...

- Passamos pela praça e compramos limões, depois, bem, depois casamos os dois.

 

Paula Brito

13 setembro 2021

Páginas Soltas

 

Lembras-te que havia um local onde eu te queria levar? O local onde o vento é mais vento e tem o dom de tudo o que é acessório levar e do que é importante amplificar, como a voz que bradou ao céu que o destino és tu e eu?

Nesse local existe um rio e um lago de lamas toxicas que convivem lado a lado, representado uma ameaça para o rio, mas ele corre, indiferente, e quando a lama um ou outro dia à água for parar, a corrente haverá de levar.

É como na vida, por vezes a lama teima em aparecer e só nos resta escolher: continuar nela a chafurdar ou deixar a corrente levar e lavar, como as lavadeiras da tua ribeira, que amolece os molhos do linho, até apodrecer e ficar o fio alvo para a vida tecer.

 

Paula Brito

29 agosto 2021 (11:57)

Páginas Soltas

 

Eu também quero ficar contigo até ao fim dos meus dias. Com uma família mais restrita, mais alargada, mais tradicional ou mais moderna, que se cruza todos os dias ou se vê de vez em quando, quero ficar contigo até ao fim dos meus dias.

As famílias estão construidas, agora, é uma questão de multiplicar afetos, sem complexidade, quem quiser fazer parte da nossa felicidade é bem vindo.

Só preciso de ti, só te quero a ti, só quero cuidar de ti e que tu cuides de mim, até ao fim dos nossos dias, nem um dia menos.

 

Paula Brito

25 agosto 2021 (00:50)

Páginas Soltas

 

Esta é a história de uma carta de amor que nunca chegou ao destino. Os motivos, serão o menos importante, ou não!

Na verdade, esta carta gera duas histórias. A primeira, entre o autor e a destinatária que, nunca tendo recebido a carta, não compareceu ao encontro deixando o autor à espera, pensando que tinha sido rejeitado.

Este aparente erro do carteiro, habituado a distribuir apenas cartas de contas para pagar, finanças, bancos e publicidade, desconhecendo que naquele envelope podia estar em jogo a vida de, pelo menos, duas pessoas, provocou um turbilhão de emoções, de equívocos e um enredo onde se desenrola a história de amor mais posta à prova de sempre!

O narrador desta história é a personagem que, no livro, recebe a carta, por engano! O conteúdo da carta mexeu com ela e decidiu comparecer ao encontro para tentar descobrir o remetente e dizer-lhe que a mulher de quem falava tão apaixonadamente nunca leu a sua carta de amor. Mas, o destino, pregou-lhe uma partida e apaixona-se por um homem que conheceu aquela noite pensando ser o autor da carta que foi parar às suas mãos, por engano.

Duas história de equívocos, que acabam por ser duas estórias de amor, paralelas, com um único elo entre ambas - a carta de amor que nunca chegou ao destino!

 

Paula Brito

 10 agosto 2021 (01h 01m)

De: Paula Brito Batista

Para ti, que tens nome de santo popular e sobrenome de rochedo 

 

Fundão, 7 de agosto de 2021 (12h 44m)

 

Sempre que me quiseres sentir, sabes o que fazer. Ouve o vento, escuta o que ele diz, ele sabe sempre se eu estou triste ou feliz! Além disso, é um bom mensageiro, chega a qualquer lugar e sabe sempre como se fazer anunciar.

Se me quiseres ouvir, tens muito por onde escolher. Apesar da voz presencial ser sempre a original. A voz é uma espécie de impressão digital, não há duas iguais, podem ser parecidas, familiares, mas cada uma tem um traço distintivo que descobri, de tanto trabalhar com a voz, que tem a ver com a nossa personalidade, ela é refletida na voz! E também descobri (disse-me um colibri) que já conheço a tua e nela descobri geografias, ironias, certezas, fraquezas... É uma voz que faz jus ao provérbio, a conversa é como as cerejas...

Se me quiseres ver, sabes o que fazer, tanta criatividade, de certeza que melhorou com a idade! Eu saberei quem tu és: o mundo a meus pés! (Às vezes, a nossa fragilidade, transforma-se na nossa força maior) Não há lugar a mais ilusões, cópias, ou outras complicações. Neste lugar só encaixa o original. É como um puzlle, por mais parecida que seja a peça, só uma encaixa na perfeição, e tu tens a peça que encaixa no meu coração.

Se me quiseres tocar, sabes como encurtar o espaço e, finalmente, cumprir aquele abraço!

Vamos deixar o olfato e o paladar para quando provar as mil e uma formas que tens de cozinhar!

Até breve!

 

Post Scriptum

Agora percebo a vida ao contrário! 

Páginas Soltas

 

Hoje vou soltar ao vento um pensamento. Ao mesmo vento que levou todo os meus medos, receios e devaneios. Não há mais lugar a ilusão, neste lugar só cabe um verdadeiro coração.

Ao soltar os medos, o vento devolveu-me a força da confiança e, onde há confiança, há esperança! Sem confiar não vale a pena o caminho trilhar. O resultado acabaria por ser o mesmo do passado, assim não, obrigado!

Depois do vento, a água é o elemento que melhor reflete o significado do que te peço, porque nela se reflete a luz, devido à sua transparência.

Se peço tudo, não darei nada pela metade ou, como diz a canção de Pedro Abrunhosa. “Tudo o que te dou, tu me dás a mim...”

 

Paula Brito

5 agosto 2021 (13h 55m)

Páginas soltas

 

Confiança e amor são duas palavras que deviam andar de mãos dadas, uma não existe sem a outra. É como atravessar um riacho enlameado, se um larga a mão é banho de lama na certa, ou caminhar numa estrada de pedras, o efeito é o mesmo. Mas, talvez o tango seja um exemplo mais adequado, se um larga a mão, não vai correr bem, não.

Os exemplos podem ser demasiado simples porque as emoções são complexas, mas, no primeiro e no segundo caso, a quebra de confiança pode ser provocada por terceiros, a lama e as pedras que são colocadas no caminho, no terceiro caso já depende exclusivamente de ambos.

São precisos dois para dançar o tango, mas, se houver confiança até de salto alto se dança nas pedras, na lama, em sonhos ou à distância.

 

Paula Brito

2 agosto 2021 (00h 47m)

O arco iris em forma de obra de arte!

O meu presente!

 

Esta é, seguramente, a música mais cantada, todos os dias, pelos portugueses, porque se trata de um presente entoado a quem celebra a data da chegada a este mundo.

Parabéns pela chegada, por fazeres parte da minha vida, por lhe trazeres felicidade e muitos anos de alegria.

Hoje é dia de festa, dia de celebrar, o começo de um novo ciclo que vamos partilhar! Hoje, é o primeiro dia do resto de uma longa vida (isto já é de outra canção, mas, como diria Pessoa, o que tem um poeta a ver a precisão?)

Obrigado pela palmas a todos os presentes e pelo canto das almas daqueles que estão ausentes.

É um doce e alegre recomeçar, depois de tanta jornada, mas, agora quero ficar junto da minha amada.

Como não sabia o que te oferecer escrevi esta nova melodia, um presente para desembrulhar em forma de poesia.

Obrigada pelos dias de aperto, pelas noites de concerto e pelas mensagens secretas só desvendadas por poetas.

Obrigada por tornares a jornada tão eloquente e me dares este presente, de me fazeres acreditar que era possível voar.

Não há outro lugar onde quisesse estar, a não ser ao teu lado a comemorar esta partida, de já fazeres, há tanto tempo, parte da minha vida.

Dia e vida feliz!

 

Paula Brito

31 julho 2021 (09h 14m)

Páginas Soltas

 

Esta é a página que se soltou do livro “Recomeçar”. Por sorte, é a página que conta a sinopse!

Esta é uma história que começou há muito tempo, quando Rosa e Tiago ainda eram crianças e nem se conheciam. Ela, uma menina do campo, que adorava andar descalça na rua, ele, um rapaz da cidade, onde as casas se fecham à chave!

Muito mais tarde, o destino juntou estas duas personalidades, aparentemente opostas, que carregavam consigo passados e histórias cruzadas.

E é nesta fase da vida, quando todas as histórias de amor já parecem ter sido vividas, que nasce um amor que, mais do que um amor entre duas pessoas, é um amor entre duas pessoas que já têm filhos, netos e familiares que precisam dos seus cuidados.

Um amor que não tem de ser dividido, mas multiplicado, que precisa de somar afetos, ultrapassar diferenças e fortalecer fragilidades.

“Recomeçar”, não é apenas uma história de amor, é uma lição de amor.

 

Paula Brito

29 julho 2021 (00:00)

Páginas Soltas

 

Do verbo sentir ao verbo amar existem muitos verbos para conjugar, cuidar, surpreender, agradar, mimar, partilhar, e outros tantos substantivos, dedicação, compreensão, cedência, iniciativa e criatividade.

Não basta sentir, é preciso também conhecer os defeitos e, mesmo assim, gostar. Saber dos erros e, se for o caso, perdoar. Conhecer as imperfeições e, ainda assim, querer ficar. E não falo de imperfeições físicas, porque essas não passam disso. Não mudam os sentimentos, não alteram o bater do coração, quando muito, fazem-nos reinventar rotinas.

Amar dá muito trabalho? Que dê, corações preguiçosos não vivem!

 

Paula Brito

28 julho 2021 (1h 38m)

Páginas Soltas

 

A noite está fresca e cheia de luar. Decidi aproveitar o meu passeio para refletir, pensar, é o meu diálogo privado com a lua! Além de outras coisas, ela tem a capacidade de nos mostrar o nosso lado mais secreto, mais escondido, no fundo, os nossos receios. E foi isso que ela me mostrou hoje, os meus e nos meus, os teus. E percebi que apesar de querer muito conhecer o teu rosto de perto, não são as tuas características físicas que me importam, mas a tua capacidade de me fazeres mudar, crescer, reinventar. No fundo, o título de um dos livros que li estas férias, resume tudo “Durante a queda aprendi a voar”. E como o universo retribui sempre, sei que tu também aprendeste. Estas mudanças implicam sempre alterações de padrão.

O que te quero dizer é que compreendo os teus receios, porque consigo colocar-me no teu lugar, e que eu também tenho receios, mas eles não me impedem de tentar. Mas, contigo, não quero apenas tentar, porque contigo aprendi a voar.

 

Paula Brito

24 julho 2021 (2h 18m)

Páginas Soltas

 

Hoje vou inventar uma nova lenga-lenga para um malmequer desfolhar e responder ao teu pedido contido numa página solta, trazida pelo vento ao meu pensamento.

Bem me quer, quero-te bem, gosto de ti e de mais ninguém!

Bem me quer, queres-me bem? Então vai valer a pena e correr tudo bem.

Bem me quer queremo-nos bem, muito, tanto, daqui ao além.

Não importa o número de pétalas deste malmequer, porque ele só tem bem querer!

 

E que ninguém duvide da força da natureza, do amor e da certeza neste poema desfolhada.

 

Paula Brito

22 de julho 2021 (14h 34m)

Páginas Soltas

 

Não me basta sentir-te, preciso ver-te. E não me basta um olhar, preciso saber a cor dos teus olhos. Sentir já é muito, eu sei, há pessoas que vivem juntas décadas e nunca se sentem. Mas, de ti não quero nada pela metade. Não me basta sentir quando estás triste, quero beber as tuas lágrimas, não me basta sentir o teu humor, quero rir contigo, não me basta sentir a tua proteção, preciso do teu abraço. Não me basta sentir a nossa história, quero ouvir a tua versão.

Preciso conhecer o rosto de que tenho saudades, ouvir a voz que me diz ao ouvido que está tudo bem, que me quer bem, sem querer, mas bem. Não me basta sentir-te, quero ter-te de corpo e alma, porque de ti não quero nada pela metade.

De mim, já sabes que não pediria nada que não pudesse dar-te.

 

Paula Brito

Às 24 h do dia 19 de julho de 2021

Páginas Soltas

 

Se a vida tivesse sabor, gostaria que fosse agridoce. As quantidades, as doses, as misturas que levaria não teriam uma receita fixa, dependeria dos dias. Agridoce é, assim, uma palavra que na gastronomia, mistura dois paladares e que à vida, retira a monotonia! Porque a alegria precisa de tristeza, a clarividência de mistério, a paixão de conquista e até o amor precisa de saudade!

A ironia seria uma espécie de sal que confere sabor à vida mas, em pequenas quantidades, se exagerada, deixa de ser ironia e começa a raiar o sarcasmo! O humor seria como o limão, cujas gotas ativam o paladar de todos os pratos, como o sorriso que ilumina qualquer momento do dia. E até o doce chocolate teria um travo de amargo que, ao invés de enjoar dá vontade de devorar!

Dias de cozinhar massa, não seriam uma maçada e porque não arranjar uma confusão nos dias de caldeirada? Se à sobremesa houvesse uma salada que fosse de frutos vermelhos misturada: amoras, cerejas, morangos e romãs.

Romãs, sempre as romãs, ideais para dias difíceis de descascar, para dias de mistérios desvendar, para dias dos seus bagos partilhar. São doces, ácidas, não são fáceis e simbolizam num só fruto, o sabor da vida agridoce de que estava a falar.

 

Paula Brito

18 julho 2021 (23h 51m)

Páginas Soltas

 

Enganos, quem os não tem? Erros, fazem parte da aprendizagem. Traições, quem nunca? Hoje quero falar-te de arrependimentos, de perdão, em resposta a sentimentos que, se alimentados, corroem, destroem e não permitem novas madrugadas, novas vidas, novas searas.

Se vivermos agarrados ao que correu mal, se não perdoarmos, se não nos perdoarmos, a vida transforma-nos numa espécie de floresta escura onde só voam morcegos, só nascem fungos e crescem árvores despidas de vida, altas, muito altas, porque até elas sabem que onde há luz, há vida!

Hoje sonhei que atravessava uma dessas florestas, mas, à medida que passava, abria-se uma clareira que deixava entrar o sol e o arco íris, que iam pintando a floresta de verde e de flores de todas as cores, povoando-a de todos os animais e brindando-a de uma melodia trazida pela água a correr num riacho, pelo coaxar dos sapos, pelo canto das aves, pelo uivo dos lobos...

«Foi apenas um sonho, lindo, mas um sonho!»

Mas, de que são feitos os sonhos? De emoções contidas, de premonitórias esperanças, de inconscientes mensagens… E porque sonhamos? Neste caso, eu sei que sonhei para ti. Guarda-o de presente num cantinho do teu coração e deixa que tome conta dele.

 

Paula Brito

17 junho 2021 (15h 23m)

Páginas Soltas

 

Lamento, mas não há uma cartilha, um dicionário, uma gramática, uma sebenta, para ensinar o verbo amar! E, mesmo as definições que existem são todas em forma de poema, nunca de teorema, porque é algo que não se quantifica, não se mede, não se calcula, não se controlam as variáveis e não se obtém sempre o mesmo resultado!

Já o escrevi sob a forma de poesia, de alegoria, de metáfora, mas hoje, vou dizer-to em resposta ao teu pedido. O amor chega sem aviso, faz tudo o que é preciso para o outro encontrar, como se fossem duas crianças a brincar às escondidas e ele decide aparecer e perder, só porque já está há muito tempo sem a ver. Na verdade, só passaram uns minutos, mas o amor controla o horário do coração e transforma minutos em horas, na ausência, e horas em minutos, na presença.

O amor pode revelar-se de muitas formas, num gesto, num sorriso, num aroma, num olhar… Enfim, Fernando Pessoa tem um poema que diz que o amor quando se revela não se sabe revelar “sabe bem olhar para ela, mas não lhe sabe falar, ah! Se ela adivinhasse e pudesse ouvir o olhar e se um olhar lhe bastasse para saber que a estão a amar!” Este amor não revelado, a não a ser em poema, codificado, acabou por tornar-se não correspondido, porque não declarado.

O medo do sofrimento, da rejeição, neste caso, foi superior ao sentimento, que, vistas bem as coisas, não era verdadeiro, já que o amor é mais poderoso que qualquer temor, porque tem a capacidade de nos transformar e dar coragem para, se for preciso, a vida ao contrário virar.

Voltando ao poema de Pessoa, é a verbalização de um dilema sem colocar na equação que talvez a ela lhe bastasse o seu poema. Resumindo, não há uma fórmula para amar, mas há sempre uma forma de tentar. Pode amar-se sem querer, mas perder sem tentar?!

 

Paula Brito

16 de julho 2021 (18h 55m)

Páginas Soltas

 

Sim. Esta palavra, apesar de todo o positivismo que lhe está associada, é pouco utilizada no dia a dia. Será porque é mais fácil dizer não? Costumo jogar um jogo com o meu filho que consiste numa conversa, com perguntas, respostas e comentários. O objetivo é fazer o outro dizer a palavra não. E é muito fácil, mais cedo ou mais tarde ela sai, naturalmente. Mas, se o objetivo for fazer o outro dizer a palavra sim, é um jogo interminável…

Basta fazer a experiência na leitura de um livro, de um texto, de um artigo e contar as vezes que aparece a palavra não e a palavra sim! Parece que somos mais negativos do que positivos!

Dizer , “Eu não quero ir por esse caminho” é diferente de dizer “Eu quero ir por aquele caminho.” A primeira sabe o que não deseja, mas a segunda, além de saber o que não quer, sabe o que quer. A decisão é mais difícil? Sim.

Está aqui a resposta à ausência do sim no vocabulário do dia a dia. Dizer sim implica compromisso, responsabilidade, trabalho, conhecimento, determinação e, no caso dos relacionamentos, cedências, partilhas, mudanças, adaptações, respeito, sem preconceito, e uma nova linguagem que consiste em deixar de falar na primeira pessoa do singular para passar a falar na primeira pessoa do plural.

Não existem nem almas gémeas, nem peças perfeitas que se encaixam qual puzle previamente preparado para bater tudo certo, no lugar. Manter o Eu e sermos Nós é o maior desafio que se coloca a duas pessoas que se amam e decidem partilhar uma vida. Porque também não somos legos, cujas peças, além de encaixarem na perfeição ainda trazem livro de instruções!

Mas, aqui, as crianças e os jogos, mais uma vez nos ensinam que não é preciso um carro de lego ser perfeito, às vezes faltam peças e adapta-se a um helicóptero! Outras, transformam-se barcos em aviões. É com o olhar, puro, de uma criança, que às vezes, é preciso olhar para o mundo, e conseguir ver o lado melhor do que parece imperfeito.

 

Paula Brito

14 de julho de 2021 (15h 17m)

Páginas Soltas 

 

Quero conhecer-te como tu me conheces. Saber das tuas imperfeições, desvendar o teu sorriso, se tens um riso fácil, uma gargalhada solta, um humor requintado ou és mal humorado! Se os teus olhos mudam de cor quando estás zangado, o que é que te deixa atrapalhado e emocionado, se gostas de doces ou preferes gelado.

Quero saber o que dizer quando, na esplanada, me perguntarem se bebes café, se gostas dele curto, normal ou em chávena cheia, com açúcar, sem açúcar ou com adoçante. Tenho a certeza que tu saberias responder por mim: curto, sem açúcar e se for água tem de ser fresca, e se for cerveja prefiro a preta e se for vinho... vou confiar no teu bom gosto. (Há decisões que sabem bem ser os outros a tomar por nós)

Quero conhecer-te como tu me conheces e, mesmo assim, ter a capacidade de te surpreender com pequenos gestos, com palavras e com tantas formas que há de amar quem quer conquistar e ser conquistada todos os dias.

Quero ter a oportunidade de conhecer a tua criatividade, porque parece ser essa a nossa canção, eu a tua musa inspiradora e tu a minha fonte de inspiração.

 

Paula Brito

13 de julho 2021 (15h 44m)

Um final feliz!

 

… o voo era só no final da tarde. Tínhamos tempo de aproveitar o dia de sol em Paris. Não sei porquê mas, só o nome da cidade já está repleto de glamour. O sol de Paris soa a mais sol! E em francês soa ainda melhor, tem um “je ne c´est pas de quoi”! Fomos aproveitar o seu calor na esplanada do café de la Paix, que nome tão adequado para coroar o que sentíamos, paz, paz interior que nos permitia olhar para a vida e para o dia de outra maneira.

Ao lado, a Ópera de Paris chamou-nos a atenção e começámos a imaginar as formas daquele edifício, como quando éramos crianças e nos deitávamos na relva do jardim a olhar para o céu e a imaginar a forma das nuvens.

- A mim parece-me um bolo de noiva! - Ele sorriu e arriscou também – Eu acho que é um castelo.

O café chegou, com ele o aroma inconfundível dos crepes, com doce de romã, que ele tinha pedido para os dois. Há tantas formas de se dizer a uma pessoa que se ama, e esta era uma delas, é claro que só nós entendíamos o significado da romã. Nós e o músico que estava do outro lado da rua e que perante o nosso pequeno almoço enamorado, começou a cantar “La vie em rose”...

Ele atravessou a rua, deu uma nota ao músico e no verso do cartaz, que dizia “Contribua”, escreveu: “Queres partilhar comigo os dias de sol, de chuva e as noites de luar?” Levantei-me, fui ter com ele e depois do abraço, do beijo e da dança na rua, escrevi em resposta ao pedido. - "Sim, e os de vento, nevoeiro, trovoada e neve também!"

O resto do dia foi passado a atravessar as pontes do Sena e a passear pelas suas margens, onde nos perdemos a folhear os livros dos alfarrabistas. Almoçámos num restaurante grego, só pelo prazer de, no final, partirmos os pratos e ali deixarmos todas as mágoas, em cacos.

Trocámos o Sena pelo Tejo, o céu de Paris pelo de Lisboa, o dia pela noite, e o sol pela chuva que nos recebeu à chegada. À noite, na varanda, aproximou-se, pediu-me a mão e no dedo anelar desenhou um anel em forma de lua. Ao seu original pedido, agora em terras de Portugal, respondi que sim, seja na florida primavera ou no quente verão, no colorido outono, no frio inverno. Sim, em qualquer estação.

 

Paula Brito

12 de julho de 2021 (1h47m)

Carta de amor!

 

Ontem, tentei encontrar-te, pensei que não havia melhor lugar para estar do que por perto, onde moram as saudades, imensas como um céu aberto, e a vontade de te abraçar, sem para trás olhar!

Olhar para trás é perceber que sempre estiveste por perto, a meu lado ou do outro lado, que viraste a minha vida ao contrário, como se tivesse mergulhado num mar de searas e tivesse dado com um golfinho de caras!

É perceber que sabes todos os meus segredos, mesmo aqueles que eu ainda não sei, que conheces todos os meus defeitos, que os terei! E as nossas imperfeições, aproximaram ou afastaram corações?

Conheces o meu sabor preferido, o meu mais esvoaçante vestido, todos os lugares que visitei e aqueles onde um dia, contigo, irei! Entre o deve e o haver, não sei quantas vezes me condenaste ou se foram mais as que me salvaste!

Sabes onde errei, tudo o que conquistei, como cresci e o que mudei. Conheces as minhas estórias, partilhaste comigo as mais remotas memórias.

Estiveste sempre por perto, é certo! Mas longe o suficiente para não te ver, porque sentir, sabes que sempre te senti, mesmo quando noutros braços me perdi, enrolada numa manta tecida por ti. Ou noutros pensamentos me iludia, com gestos, flores e poemas que, afinal, para ti escrevia!

Pensava ter-te encontrado, pela primeira vez, no célebre dia das amoras, um olhar cruzado, um cigarro premeditado, mas há muito que tinhas entrado na minha vida, porquê? Não sei, tu dir-me-ás, se fores capaz!

Sinto-me a viver uma grande estória de amor, sem nunca te ter conhecido, um amor divino, pela lua tecido!

Paula Brito

Escrita no dia 3 de maio 2021 (14h14m)

Publicada no dia 18 maio 

Ainda há luar!

 

Quando era pequenina aprendi a ler a lua, ao contrário! Se ela estiver em forma de D, de decrescente, está em quarto crescente, se estiver em forma de C, de crescente, está em quarto minguante.

Mais tarde, muito mais tarde, aprendi a ler a vida ao contrário! Mas como a lua nunca se engana e sabe sempre como iluminar o caminho, também não me preocupa que tenha lido, ao contrário, o destino.

É como a expressão “Deus escreve direito por linhas tortas”, a vida, às vezes, também nos troca as voltas!

E quando uma porta não se abre é porque há outra para abrir, que nos vai indicar que rumo seguir!

A porta certa é sempre aquela onde mora o amor, seja de que tipo for! É sempre a que se abre ao ritmo do bater do coração, rode a chave para que lado rodar, o segredo está sempre no verbo amar.

Ao contrário, a crescer ou a minguar, nova de semear, ou cheia de perder o olhar, haverá sempre luar!

 

Paula Brito

15 maio 2021 (22h22m)

11 abril 2021 

Domingo de sol e esplanada, com vista para o jardim, "o café da tua vida", diz o toldo assim!

Pastel de Belem partilhado com duas pombas cheias de significado!

Os repuxos de água dão melodia à música que de fundo se ouvia "you must remember this..." Depois de um passeio pela baixa, onde outra música o domingo ilumina, a do som da concertina!

E o rio, que vai turvo de tão agitado, mas continua a correr a teus pés plantado.

Cidade de encantos meus, da saudade à despedida, cidade que guarda o amor, na poesia, cidade da minha vida.*

*De uma maneira ou de outra, acabei por te encontrar! Há coisas que só se conseguem ver com o coração, para citar "O Principezinho" de Saint-Exúpery. (13.abril.2021 00h 11m)

Paula Brito 

10 abril 2021

 

A boa notícia é que a dor no braço passou, ou pelo menos suavizou e deu para fazer exercício no final do dia, se bem que a faxina já é um bom exercício, e hoje foi dia!

Foi também dia de brincar. Fiz uma caça ao tesouro com o meu filho que consistiu em eu deixar pistas escritas e ele procurar pela casa até encontrar a pista final e o tesouro! E encontrou, sem pirataria! Só magia, com o seu mágico cubo, cartas de ilusionismo e tudo!

Hoje fiz chili para o almoço. Cá em casa todos gostam, menos os pequenotes de Portugal, que é como o meu filho chama aos dois porquinhos-da-índia, que a verdade se chamam Burpy e Flash. Já é um agregado familiar considerável!

O sol quase não apareceu, trovejou de manhã e à tarde choveu! Tal como agora, nem se vêm as estrelas!

Amanhã é domingo, o sol voltará a nascer, o dia a amanhecer e talvez se veja uma ou outra estrela!

Nunca mais é domingo!

Um abraço!

Bom dia!

Manhã de sábado de preguiça, crepes e de Lego Ninjago. O exercício teve de ficar para mais tarde, era mais fácil se tivesse um ginásio aqui ao lado!

Nem de propósito, hoje o episódio da Lego era precisamente sobre a preguiça no exercício físico, como estavam a ficar gordinhos os nossos heróis, só a comer, dormir e jogar!

Aprende-se muito a ver estes desenhos animados!

Este sábado, por cá, ainda não viu sol, mas não deve tardar e por aí? O sol às vezes manifesta-se de várias formas, e uma delas é encher-nos de energia para enfrentar o dia!

Hoje estou com uma dor no braço, nada que o exercício físico, daqui a pouco, não resolva.

Até já!

9 abril 2021

 

Parece que anda muita gente interessada no nosso desencontro! Mas, agora que te encontrei, é uma questão de dias, até retirarmos o prefixo ao desencontro.

Na verdade, já te tinha encontrado, eu é que às vezes esqueço que tenho de reler o que escrevo! Estava lá tudo: a guitarra, o fado triste na voz, o coração apaixonado, a serenata ao luar! Era uma questão de seguir o caminho de S. Tiago.

Portanto, acho que me vou fazer ao caminho e não seguir aquela publicidade que dizia “Não vá, telefone!”. É que às máquinas falta o algoritmo do sentir.

Hoje tive outro “dejá vu” ao telefone, como naquele dia em que “te” liguei para pedir o som da assembleia e percebi que do outro lado estava outra pessoa que não aquela que tinha comido piza na esplanada na noite anterior ou que me tinha tocado no braço, de propósito, na despedida. Esse foi o dia em que tudo mudou e comecei outra linha de investigação (não sei se é bem este o termo). Como um simples toque no braço pode causar tanto embaraço!

Hoje trovejou, duas vezes, depois do almoço e à tarde (eu disse que te iria encontrar nem que fosse no meio de tempestades!) E também “apanhei” duas molhas, a primeira, foi sem querer, a segunda propositada, à noite, quando fui passear o Bolt e caía uma chuva miudinha que sabe tão bem que “até cantas” como diria o meu filho.

Foi a minha hora “de respirar um pouco de ar puro”. Deixo-te com o som da guitarra a tocar baixinho porque alguém pode escutar...

Bons sonhos

Paula Brito (23h 55m)

Bom dia, 

Acordei com a chuva e com os pássaros a cantar na minha janela. É o bom da primavera, mantem a beleza e os sons, mesmo que o tempo não seja primaveril!

A chuva tem sempre o dom de limpar a poeira que anda no ar e deixar a paisagem mais nítida. Hoje, é um bom dia para a fotografia!

Se tirar alguma bonita, logo mostro-te. 

Será que aí também choveu? Será que além da chuva ouves o som do rio? 

Dia Feliz!

Paula Brito

8 abril 2021

 

Depois de te dar os bons dias, liguei para saber como e quando ir aí. Do outro lado disseram-me que não havia ninguém com o teu nome. O estranho foi mesmo terem-me dito isso de imediato, sem aguardar um segundo que fosse!  

Seja como for, pensei que talvez não tivesse toda a informação que precisava e fui à procura de quem a poderia ter e ajudar-me, a pessoa que sempre foi o elo de ligação entre nós, de quem gosto muito, para que fique já tudo esclarecido, e que ficará sempre como um Amigo.

Infelizmente, não fui bem-sucedida! Hoje, porque, como sabes, não desisto com facilidade. E como diz o ditado popular “há mais marés que marinheiros” e eu ando à procura de um muito específico e especial!

E se te encontrei a primeira vez, contra ventos e marés, também vou a encontrar-se a segunda, mesmo entre tempestades!

Hoje o dia começou cheio de sol, pela manhã, à tarde esteve frio e agora, há pouco, começou a chover! Este dia, parece que foi tecido ao contrário! Como a vida, às vezes também parece tecida ao contrário.

Entrevistei uma cigana, a propósito de hoje se comemorar o Dia Internacional do Cigano, que me falou de como os ciganos são unidos na alegria e na doença, da tradição dos casamentos que duram três dias, de como gostam de música e de dançar, enfim, um bom testemunho, pensava eu, até ir fazer o trabalho e perceber que não tinha gravado nada! Como se tivesse acontecido uma espécie de apagão!

Como eu acho que nada acontece por acaso, até nos contratempos pode haver algo de bom.

No outro dia vi um filme de animação como o meu filho “Yeti – em busca do abominável homem das neves” que começava precisamente com essa lição: o azar pode ser sorte!

Por falar em sorte, hoje comprei uma lotaria, só porque o tema era aldeias históricas de Portugal, e por acaso é uma que eu não conheço Fajãzinha nos Açores, isto porque nunca fui aos Açores, mas onde tenciono ir um destes dias, quando pudermos atravessar o mar. (Podes acrescentar à lista)

Agora começou a chover com força, vou passar o resto da noite a ouvi-la cair e sonhar com o nosso passeio à chuva.

Bons sonhos.

Paula Brito (23h 31m)

Bom dia!

Mente sã em corpo são...

Hoje foi mais mente que a noite foi agitada e a mente precisava serenar. Deve ser da contagem decrescente. 

Dia bom!

7 abril 2021

 

“Sem meias tintas”, hoje começo esta carta com uma expressão popular que significa ir direta ao assunto. Hoje andei à procura de horários e dias de visita para ir ver-te. Talvez no fim de semana ou na próxima quarta-feira, ou ambos!

Precisamos ver-nos e conversar, aclarar o linho e convertê-lo em meada. O linho puro, que vai urdir a teia do tear que só tece com o verbo amar. Puro, porque andam por aí muitas falsificações de linho e de teares que querem tecer a vida alheia, com “fios de lã podre”, para utilizar outra expressão popular.

Além disso, a saudade aperta, como o calor, por cá os dias têm estado quentes, aquele calor que parece querer anunciar tempestade em todo o interior. Já sabes que gosto de falar do tempo e de sentimento!

E por falar em sentimento, hoje já não se escrevem cartas, pelo menos cartas de amor! Só cartas comerciais, por isso considera-te um privilegiado receberes diariamente, pelo menos, uma carta e alguns bilhetes!

O facto de ela estar acessível a mais pessoas, a mim não me faz confusão, há muito que a minha vida é um livro aberto, ou devassa, para terminar como comecei, sem meias tintas!

Mas, claro que não vou terminar sem um abraço, para aliviar o cansaço, ou como diz a música de Miguel Gameiro, “que seja forte, que te conforte”.

Bons sonhos

Paula Brito 23:33

Bom dia!

Mente sã em corpo são! 

Hoje estou muito melhor e consegui fazer a ginástica matinal, deve ter sido das águas da ribeira e do sol de ontem à tarde! Fresca como o linho! 

Uma cura que sei que também chegou aí, talvez já com a luz da lua. 

Dia bom e até logo!

6 de abril 2021

 

É curioso, logo neste Dia Mundial da Atividade física não me sentir bem para fazer exercício, de manhã. Mas fiquei melhor à hora do almoço, fui apanhar sol até Castelo Novo. Gosto daquela aldeia porque está perto do Fundão, perto da serra, respira-se história em cada pedra, tem uma vista maravilhosa do castelo para o céu, para a serra de granito, para a Malcata, tem uma torre do relógio e fontes de água fresca e cristalina.

Normalmente subo ao castelo, mas hoje fiquei pela praia fluvial a ouvir a água a correr em cascata e a usufruir do sol e da natureza, no mesmo local onde nos encontrámos no dia em que ali fui fazer uma reportagem.  Na altura não te conheci e só não te entrevistei porque senti o teu incómodo! E não iria entrevistar um homem incomodado, vestido de calções de banho vermelho alaranjado!

O mesmo incómodo que senti na praia fluvial de Benquerença quando revi, vezes sem conta, a imagem. Só depois de te ter reconhecido é que percebi que eras tu também em Castelo Novo e provavelmente na Meimoa e no Meimão!

À praia do Moinho voltei mais duas vezes à tua procura. A primeira, tal como tu, em modo de “perseguição”, estava empenhada nesta investigação! A segunda, tal como tu, em modo de proteção. Acho que fui mais bem-sucedida na segunda.

Voltarei lá este verão, mas, provavelmente, para mergulhar nas águas da ribeira e perceber se sabes nadar (seria imperdoável para um marinheiro!) e almoçarmos na esplanada, a bifana é boa, mas a rede é péssima!

Podes acrescentar à lista de verão este programa “caseiro”, sem rede.

E por falar em caseiro, podemos sempre passar pela padaria da aldeia e comprar o pão de trigo. Tomamos ao pequeno-almoço o café com leite, a manteiga com o pão e acertamos o passo com o bater do coração!

Paula Brito (23h 47m)

Bom dia 

Espero que já tenhas feito o teu exercício fisico, eu hoje não consegui! Sinto-me um pouco zonza, não sei bem se é este o termo, e sem força física.

Vou tomar um pequeno almoço reforçado e farei logo à tarde.  

O dia, por cá acordou com sol e já se ouve a cidade a palpitar. Por falar em palpitar um abraço no teu coração. 

Até logo!

 

 

5 abril 2021

 

Foi há precisamente dois anos, no dia 5 de abril de 2019, que criei o meu site www.nuncamaisesabado.net

Na altura, foi-me dado de presente por uma grande amiga que o batizou com este nome porque entendeu que já estava na hora de eu mostrar as minhas capacidades. E mostrei. Primeiro a minha escrita e a minha poesia e só depois o meu rosto, precisamente com a foto de perfil que hoje recordei, provisoriamente.

Foram dois anos de muitas palavras, de muita magia, de muita poesia, de tantas vivencias, passeios, alegria e partilha. Em breve vai sair o livro com o mesmo nome “Nunca mais é sábado!” onde compilei alguns dos melhores textos que aqui publiquei.

Recentemente criei esta página, “Cartas”. Decidi chamar-lhe cartas porque não é um diário que escrevo só para mim, elas são dirigidas a ti.

Hoje, fui pagar uma portagem que tinha em atraso, já passaram 20 dias, e nem na sede da empresa concessionária ainda estava a pagamento! Apesar de estar o dia e o montante em dívida!

Bom, mas isto para te dizer que tive um “Déjá vu”, e lembrei-me do dia em que fui pagar uma portagem de uma ida, precisamente à cidade da Guarda, e já estava paga!

Na altura pensei que tinha sido alguém só para saber onde é que eu tinha ido, mas hoje, à distância, não faz sentido, porque afinal toda a gente sabia!

Então comecei a pensar quem é que poderia ter pago esta portagem e lembrei-me que só havia uma pessoa que podia assumir o papel de benfeitor e pagar a portagem em segredo, como se o gesto aliviasse alguma dor, não sei se a tua se a minha!

Depois acertamos essas contas!

Hoje também fui passear o Bolt junto ao pavilhão multiusos, ali num recanto onde um dia ele ficou preso com a trela naquelas pedras! E perguntei-me se, nessa noite, tivesse gritado por Socorro mais alto tu terias aparecido e deixavas cair o teu disfarce!

Acabaste por aparecer em meu socorro mais tarde, na altura certa, seguramente. O único estrago naquele dia foi a trela do Bolt que rebentou e tu a cantares na rua (consegues ser mais desafinado do que eu!)

Mas, dizia eu que foi na altura certa, porque além de vires em meu socorro, também rebentaste as tuas amarras. Obrigada, por ambos.

Hoje, celebrou-se a Nossa Senhora do Incenso e o bispo da tua terra que foi celebrar a missa, D. António Moiteiro, deixou uma mensagem de esperança “o amor vence o ódio e tempos novos hão de vir, mas temos todos que os construir”.

Com gestos, palavras, emoções e cartas.

Noite feliz! (23:55)

Bom dia, 

Mente sã em corpo são...

Bom café com manteiga!

4 Abril 2021

 

Não sei se foi do exercício matinal se da caminhada pelas cerejeiras em flor no final do dia, mas sinto-me exausta! Este momento do dia é um calmante, tal como a música celta que gosto de ouvir quando escrevo.

As mulheres celtas eram umas grandes guerreiras, uma vez entrevistei um músico que me disse que a origem do adufe vinha precisamente das mulheres celtas que batiam no peito, numa espécie de grito de guerra e que viria daí o toque do adufe, feito de pele de animal, tocado com as mãos, um instrumento tipicamente feminino!

Hoje também conheci a história da origem da Nossa Senhora do Incenso que, como sabes, se celebra amanhã! Sabias que antigamente se chamava Nossa Senhora do Prado? O tal, que é verde quando é primavera?

Por incrível que pareça nunca fui à Senhora do Incenso! Fui muitas vezes à Nossa Senhora da Quebrada! Íamos a pé, 7 quilómetros até à Benquerença e mais 7 no caminho de regresso aos Três Povos! Não sei que encanto tinha aquela festa, ainda por cima nem te conhecia!

Sabias que antes se chamava Santa Catarina? Mas como aparecia sempre quebrada foi assim batizada! Eu só soube no último verão, de tantas pessoas que havia no mercado tive a sorte de encontrar o mais improvável dos testemunhos!

Também fui algumas vezes à Senhora da Póvoa, aí já íamos de boleia. Na altura era seguro andar de boleia, toda a gente ia para a festa e todos se conheciam. Se soubesse que eras da Benquerença, talvez tivesse aceitado a boleia naquele dia em que nos conhecemos, ou melhor, em que eu te conheci!

Eu acho que me ofereceste boleia porque já me conhecias tão bem que para ti era natural, esquecendo que eu nunca te tinha visto! Quando, na verdade, foi o dia em que estivemos mais tempo juntos, presencialmente, apesar de te sentir presente, todos os dias.

23h 47m

Bom dia

O domingo de Páscoa acordou cheio de sol, e eu de energia. Já fiz o nosso exercício matinal, 20 minutos de Pilates, (não confundir com Pilatos, o que lavou a mãos) e 10 de equilíbrio e meditação, essa parte, se quiseres, um dia explico-te e ensino-te como se faz!

Amanhã há mais exercício, porque hoje ainda haverá mais!

Mas, vamos ao café.

Um bom domingo e até já.

9h 32m

3 de abril de 2021

 

Sábado de Aleluia!

Hoje, troquei o meu passeio ao luar, por um passeio de fim de tarde. Um enorme passeio que começou com o sol e terminou com as estrelas. É incrível como passamos todos os dias pelos mesmos locais e ainda há pormenores que nos surpreendem! Uma fonte de branco azulejo, uma varanda rendada, hoje já se preparava uma ou outra esplanada!

Deve ser por isso que na cidade se sentia a liberdade, até vi um pardal com um papel branco no bico! Um bando de pombas a cruzar o céu, um gato a espreitar de uma janela, um homem deitado no banco do jardim, jovens a conviver na rua, uma cidade que vai deixando de estar nua.

Entretanto, comecei a pensar que o exercício físico vou retomar, acho que me podias acompanhar! Aceitas o desafio? Dizem que uma mente sã precisa de um corpo são. A não ser que tenhas outros planos, fica já combinado o exercício matinal, que só nos faz bem e nunca mal.

Eu faço uma caminhada todos os dias com o meu Bolt, mas acho que não chega. Foi o meu filho que o batizou, inspirado num filme, com o mesmo nome, onde o cão pensava que tinha superpoderes! O meu acho que é ao contrário, tem superpoderes e não sabe! (Esta é a parte em que gostava de ouvir a tua gargalhada!)

Amanhã é Páscoa e espero que tenhas um dia feliz, que pode muito bem começar com exercício físico, o primeiro de tantos que vamos partilhar na vida.

Afinal, amanhã é dia de ressurreição! E o lar pode ser em qualquer lugar, desde que seja lá que more o nosso coração.

Paula Brito

2 Abril 2021

Já sabes o que fiz esta manhã, mas, à tarde trabalhei e publiquei a reportagem da tecedeira de Aranhas de que te falei. E se já tinha identificado algumas das voltas que a vida nos fez dar, como o ciclo do linho, esta semana identifiquei outra fase. Aquela em que o linho vai ao forno depois de molhado numa barrela!

A boa notícia é que ele volta à ribeira para lavar e é posto a secar até ficar branco linho. Na vida também curamos assim as feridas, com água, sol, amor e carinho.

Outra boa notícia é que tanta maldade e crueldade trouxe ao de cima a verdade! É que se a mentira tem perna curta, a verdade em todos os caminhos cabe, sejam estreitos ou compridos, em linha reta ou de curvas tecidos.

Hoje, também publiquei uma entrevista que me deixou a pensar se não estaria na hora de deixares de fumar. Um homem que fumava três maços de tabaco por dia e que, depois de um enfarte do miocárdio, deixou de fumar. O tabaco, pelo menos, vem com aviso!

Eu sei que é muita coisa para gerir, mas há um amor de que ontem não te falei que, como todas as formas de amor, tem um enorme poder, que é o amor próprio.

Cuida de ti, por mim.

Paula Brito (00:00)

2 Abril 2021

Esta manhã construi um puzzle com o meu filho. Foi mais uma batalha, ele fez o do mundo e eu o de Portugal, ele ganhou, mas não faz mal, porque eu me perdi a olhar para os azuis do mar, à procura da ilha do Pico, do Corvo e das Flores, no arquipélago dos Açores!

À procura da cor laranja-claro das flores da madeira, dos Santos que dão nome a três ilhas e ainda da Terceira, dos golfinhos, da tartaruga e da sardinha, da estrela-do-mar, do cavalo-marinho e da alforreca, do polvo, do peixe-lua e da faneca.

Ainda em alto mar procurei a rosa dos ventos e os pontos cardiais e encontrei um barco à vela que sobreviveu a vendavais!

Em terra, atraquei em Sagres, comi figos e laranjas do Algarve e subi até Beja, onde o calor sobeja e o lince tive de montar, neste pedaço de terra encantado à beira de Espanha plantado!

Em Évora fiz o templo de Diana, que todos pensavam ter sido erguido à deusa da caça, mas, afinal, foi em honra do imperador Augusto, o tal que dá o nome ao mês de agosto!

Já nas beiras, neve, cerejas e oliveiras, completam o quadro de Castelo Branco, que não tem castelo, e da Guarda, que não tem farda.

Viseu só tem a tabuleta, que me fez lembrar aquela canção de embalar: “indo eu, indo eu, a caminho de Viseu, encontrei o meu amor, ai Jesus que lá vou eu!”

A guitarra portuguesa é o símbolo de Coimbra, do fado triste na voz, mas de coração apaixonado, do fado que gosta de cantar uma serenata ao luar.

A torre dos clérigos, no Porto, o galo de Barcelos desafia, não fora o vira do Minho e outro galo cantaria!

De Bragança a Lisboa ainda é longa a distância, mas já se vê o Cristo Rei, a Torre de Belém e a esperança. Setúbal é ali ao lado com o seu azulejo de azul e branco pintado, estamos no Ribatejo e dali vamos a Idanha que já raia as terras de Espanha!

Foi uma manhã bem passada, a viajar, não com malas na mão, mas com peças de cartão!

Paula Brito (22h26m)

 

1 Abril 2021

 

Esta noite, não fora a pandemia e o Fundão estaria cheio de gente a participar e a ver a procissão do Senhor da Cana Verde, pelas sete capelas da cidade, em cada uma um quadro, uma instituição, uma representação… E mesmo que a visita seja feita ao contrário, tudo termina na capela do calvário!

Mas, hoje a cidade estava deserta de gente e silenciosa de ruido, as gotas que ainda caiam nas caleiras quebravam a quietude do caminho que sei que conheces de cor e salteado, até já o fizeste ao meu lado, ou do outro lado, ora em modo de "perseguição", ora em modo de proteção!

Acho que um e outro sempre estiveram presentes, até que o segundo acabou por vencer, porque o amor é a força do universo que tem mais poder!

Um dia escrevi essa frase numa troca de mensagens, sem saber, na altura, que era para ti, mas está tudo bem, porque se aplica a todas as formas que o amor tem! Romance, família, amizade e o que leva e traz a saudade.

Paula Brito

1h55m (já do dia 2 de abril)

As quatro estações

O dia hoje começou com um sol de outra estação que aqueceu a manhã de primavera como se fosse verão!

Não sei se já reparaste, ou se as pessoas reparam, nos pássaros que rasgam o céu voando ao ritmo que Deus lhes deu!

Às vezes parece-nos tudo tão banal que nem reparamos que a serra está mais verde, que uma borboleta no campo se perde, que a água continua a correr naquela fonte ou que já nasceu mais um moinho no monte!

Por cá, à hora do almoço choveu, uma chuva de outono, quase disfarçada, mas que deixou no ar um forte aroma a terra molhada. Que bem que me soube esta lufada, é como quando acabamos de arrumar a casa e nos cheira a limpeza, só que aqui a “mulher a dias” foi a mãe Natureza.

No final da tarde começou a chover como se fosse inverno. Gosto de ouvir a chuva a cair nas pedras da calçada, no alcatrão da estrada, nos vidros, nos telhados e também gosto de senti-la na cara!

Quem tem medo de se molhar nunca experimentou a sensação da chuva a cair no rosto, e não falo de lágrimas, que essas também sabem bem e não fazem mal a ninguém, sobretudo se nos lavam e acalmam a alma, mas hoje falo da chuva que rega os campos e cai fria no rosto, como os raios quentes de sol em pleno agosto!

Um dia vamos combinar um passeio à chuva! Vai tomando nota. Já temos marcado um café na esplanada com vista para a lua, uma ida ao teatro, pode ser na estreia da recuperação do lindo teatro da tua terra, e um passeio à chuva.

Parece pouco, mas, se pensares que o café na esplanada será no verão, o passeio à chuva no outono, a ida ao teatro da tua terra só lá para a primavera do próximo ano, já estamos a falar de quatro estações!

É que no inverno, já temos outro encontro marcado, em vésperas de Natal, quando se acender o maior madeiro de Portugal!

Paula Brito

1 de abril 2021 (19h 44m)

31 março 2021

 

Há dias assim…

 

Um dia escrevi um texto sobre um papagaio atrevido que inventou o papagaioês (como eu acabei de inventar esta palavra!) e num dos parágrafos encontrou o Joaquim e disse-lhe, “há dias assim, há dias assim”. Aquilo que na altura me pareceu a melhor rima, hoje ganhou um significado especial!

Há dias assim, como aquele em que te conheci, sem saber que aquele encontro “premeditado” iria mudar por completo o rumo da história, que um dia vou contar em livro. Vai ser um romance policial e tal como nos desenhos animados, não acaba mal.

Apesar do início não ter sido uma boa abordagem, foi o primeiro encontro mais original que já vivi, ouvi, li ou vi no cinema! Essa parte vou deixar para o romance onde qualquer semelhança com a realidade será pura coincidência!

E por falar em encontro, deves-me um pedido de desculpa por teres falhado ao café, na esplanada, naquela noite de verão. Eu também te devo um pedido de desculpa pelo nome que, na mesma noite, te chamei! (essa parte também vai ficar para o livro)

É que, hoje, representas exatamente o contrário, e só há uma maneira de o escrever, coragem escreve-se com g, seja no norte, no centro ou no sul.

E era isso que te queria escrever no dia 31 de março, sei que já passa da meia noite e já é tarde, mas, há dias assim…

 

Paula Brito

 

Borboleta, além de voar, tens o dom de transformar!

30 março 2021

 

Hoje é um dia especial!

Desde que o meu filho nasceu que tiro o dia de anos dele de férias. Existem os feriados religiosos, os históricos, este é o meu feriado familiar.

A data de aniversário deve ser comemorada como se um princípio de ano se tratasse. Refletir sobre o quanto crescemos e aprendemos no ano que passou, traçar os planos que temos para o ano que agora começa...

Não é à toa que chamam aos anos primaveras, independentemente da estação do ano em que nascemos! Mesmo que seja outono, a data é de renascimento, de novo começo, como faz a primavera com a natureza.

Primavera, esta estação com paragem para as saudades e partida para os reencontros.

Paleta de cores na pena de um poeta, postal ilustrado que ameniza a espera,  é assim a primavera!

E a que cheira a primavera? A flores, a café, a quimera!

 

Paula Brito (12h 23m)

Foto: Ribeira da Meimoa - Benquerença

29 março 2021

 

Boa noite!

A lua está linda esta noite, como naquela noite em que me perdi entre os verdes portões de Aranhas. Voltei lá há pouco tempo falar com a última tecedeira da aldeia. Uma mulher de 80 anos que tem uma vivacidade, uma alegria e uma sabedoria que quis registar. Conhece todas as voltas que o linho dá até chegar ao tear, é mais ou menos como a vida!

Ainda procuro o dia em que a nossa história deu a volta! Sei quando foi lançada a semente à terra, no mesmo dia em que comi as melhores amoras da minha vida, na cidade da Guarda! Também sei que antes alguém lavrou a terra, com o seu divino arado.

Sei ainda quando o linho foi mergulhado nas águas da ribeira, a mesma onde, já fio, o linho ficou mais claro naquela tarde de sol de inverno!

E como houve um divino arado a preparar a terra, há também uma aranha divina a urdir a teia de um tear que só tece ao som do verbo amar.

Paula Brito (23h 44m)

Bom dia com alegria e café!

Março está a terminar, mas a primavera está só a começar. Ainda com a luar a iluminar o dia, que o sol é cavalheiro e decidiu deixá-la brilhar o dia inteiro!

A começar está também a Semana Santa mas, desejo-te uma santa semana. A língua portuguesa é maravilhosa, às vezes basta mudar de lugar para mudar de significado!

É o caso de Semana Santa, a da Páscoa, e uma santa semana, que é o desejo que fica para que a semana seja de paz.

Homem grande e grande homem, é outro exemplo, agora imagina um homem grande no tamanho e grande no coração!

Dizer verdes prados ou prados verdes não muda o significado, mas muda a melodia, a primeira é poética, a segunda é prosa mas, os prados, esses continuam verdejantes para o poeta, verdes para o escritor e um bom pasto para o agricultor.

É a Dona Maria ou Maria é a dona!  Há, no entanto, palavras que nunca mudam o significado, como mãe. Mãe é mãe, seja em que contexto for, seja qual for a dor, mãe é amor.

E podia estar aqui o dia inteiro a deixar um exemplo e a ocupar o teu tempo.

Um bom dia e um dia bom!

Paula Brito

 

28 março 2021

 

Bom dia, um abraço com o café da manhã de domingo!

Porque o mundo está a precisar de abraços, como de pão para a boca e de colher para a sopa, hoje, vamos dar um abraço! Pode ser do terraço, da varanda, da janela, com vista para a rua, ou para o mundo virtual… porque o abraço não conhece barreiras, é universal!

Se for partilhado, une o que anda desligado, perdido ou à deriva, um abraço é como um pulmão, que nos dá vida! Ninguém cumprimenta ninguém com um abraço sem sentido, ou é uma causa, ou um amigo, ou então é só vontade de abraçar, de outro coração tocar.

Abraço, sabe a chocolate quente à lareira em noite fria, dá conforto e alegria. Abraço é como água fresca em quente verão, refresca a vida, mata a sede e a saudade ao coração.

Abraço fala em silêncio, é como uma imagem, que não precisa de palavras para passar a mensagem. Se for apertado, fala sem saber, transmite todo o querer. Mas, abraço também pode ser melodia, se à sinfonia das emoções, se juntar o bater dos corações.

Se um só abraço tem força tamanha, quantos abraços são precisos para mover uma montanha? E se forem grandes, conseguirão mover a cordilheira dos Andes?

(Se conseguimos mover uma montanha e agitar o mar com um só toque no braço, imagina com um abraço!)

 

 

27 março 2021

 

Boa noite!

 

Hoje, por cá houve sábado sem sol! Acho que esteve escondido atrás das nuvens, não sei se a brincar, se envergonhado, se, apaixonado pela lua, deixou que fosse ela a brilhar, com o seu manto da cor das cerejeiras em flor!

Em breve, o vermelho vai colorir as cerejeiras, dando a forma e a cor do coração a este fruto de eleição!

Que o vento não provoque vendavais nos cerejais, apenas cumpra o que diz a sabedoria popular: A distância é para o amor, o que o fogo é para o vento: apaga o pequeno, atiça o grande.

Dizem que, quem não tem tema de conversa fala do tempo! E há quem aproveite o estado do tempo para falar de sentimento!

Paula Brito (22h 48m)

Bom dia!

 

Gosto do cheiro do pão quente pela manhã. Faz-me salivar e viajar até ao tempo em que o padeiro chegava à aldeia a anunciar a chegada do trigo, de que se fez pão. Primeiro, ao toque da buzina, qual concertina, depois o odor do pão fresquinho como se estivesse acabadinho de chegar da eira e a pedir uma manteiga.

Sempre foi o meu pequeno-almoço preferido, pão de trigo com manteiga, acompanhado com o café que a minha avó fazia numa cafeteira de onde saía um odor que, com o do pão competia. Depois, ia de manhãzinha buscar o leite caseiro, que ganhou o sabor do verde prado e com o café era misturado.

Ainda hoje, café com leite e pão com manteiga é o meu pequeno-almoço preferido! Um destes dias vou aí, tomá-lo contigo.

 

Paula Brito (10:07)

27.março.2021

Dia 27 de março 2021

 

Café da noite!

Este sábado é o Dia Mundial do Teatro mas, com as salas de espetáculo silenciadas fazemos da vida um palco de cenas improvisadas.

Ontem passei-me por um teatro em dois atos, ou três, talvez! Atores e atrizes, poetas aprendizes, com falas mais ou menos apalavradas, algumas dicas estudadas, foi o teatro no seu máximo esplendor, até com figurantes em redor, uns fardados, outros disfarçados, é a vantagem do teatro da vida real, há figurantes em qualquer lugar!

Um dia vamos rir-nos à gargalhada e ir ao teatro de verdade, daquele que ficamos a assistir no nosso lugar, sem nos preocuparmos com o fim, porque sabemos que é tudo a brincar. Como quando era uma feliz menina e fazia peças de teatro na escola, (a minha tinha papoilas cá fora!) e havia uma que terminava assim:

Era uma vez, dois e um três, um canivete, quatro e três sete, custou seis mil reis, três e três são seis, mas com ele não brinco, quatro e um, cinco, quem é afoito, cinco e três oito, se puder me prove, seis e três são nove, venham cá depois, um e um são dois, vamos ao teatro, 2 mais 2 são quatro!

Um dia falaremos sobre uma peça de teatro que fui ver à tua terra, chamava-se “Fausto” e conta a história de um homem que vendeu a alma ao diabo em troca da eternidade! Se calhar até nos cruzámos no salão da junta de freguesia, naquele dia!

Bom, mas no meu passeio ao luar, esta noite fui parar ao jardim de Sto. António, sempre cheio de roseiras, às vezes com rosas, outras em botão, mas esta noite o que abundavam por ali, eram dentes-de-leão. Gosto de os soprar e perguntar, em alto e bom som: ficas careca ou não?

Já sabes que gosto de roubar rosas e amoras do quintal da tua vizinha, mas, isso não é cadastro, é curriculum!

É que um poeta é assim, rouba frutos silvestres, corações e flores do jardim!

Paula Brito

00h 31m 

Dia 26 de março 2021

 

Café da manhã!

O círculo de luz à volta da lua, a noite passada, veio de propósito para trazer calor à fria madrugada. Já sabes que falo com ela, e ela, ouviu a minha prece, trazendo luz e calor à noite, que nunca arrefece!

Lua minha, lua tua, lua circulada, Obrigada!

 

Café da tarde!

Sentada num banco que improvisei de pedra (só porque está à beira de uma cascata e ladeado de silvas, aquelas que dão as amoras que eu adoro e tu adoras) procuro o sol, o tal que ilumina todos sem distinção, que une mares, mata saudades e aquece o coração.

Hoje, os bancos do jardim estão desertos, ninguém neles vagabundeia, mas a alma, essa está cheia! Por aqui já voaram algumas borboletas, brancas, amarelas e pretas. E até já fui "atacada" por um cisne! Não foi nada, foi só uma bicada, a lembrar que o futuro não tarda nada!